Do Pequeno Príncipe ao Príncipe ?

Caros colegas, no topo do blog há um subtítulo curioso: “Ética e Gestão contra a corrupção. Do pequeno príncipe ao Príncipe.” Vamos explicar melhor nessa reflexão.

Temos forte convicção de que podemos avançar no combate à corrupção brasileira se fortalecermos nessa e nas gerações que estão vindo valores éticos. Temos que combater a flexibilidade moral e o famoso jeitinho. Precisamos mostrar para nossas crianças o valor da honestidade e da solidariedade. Sem valores não temos uma sociedade plena.

Precisamos de pessoas valorosas, mas precisamos também de bons gestores. Nem todas as pessoas estão aptas a assumir a liderança. Entendemos que todos podem e devem participar do processo de gestão, mas sempre no devido tempo. É preciso reconhecer nossos limites e buscar sempre o autodesenvolvimento para estarmos prontos no momento certo.

Líderes importantes precisaram do momento certo para exercer seu papel na sociedade. Fico pensando se Rosa Parks não tivesse tomado a atitude corajosa de dizer não para a segregação dos assentos de um ônibus, o reverendo Martin Luther King teria encontrado as condições políticas favoráveis para promover uma verdadeira cruzada pelos direitos civis?  Como diz minha filha: “Pode ser que sim e pode ser que não…”

Muitas vezes a liderança é latente, mas não encontra o ambiente favorável para seu exercício.

A atuação de milhares de homens e mulheres de bem, pessoas éticas com conhecimento dos fundamentos da gestão e da liderança, será de fundamental importância para o necessário processo de transformação da sociedade brasileira.

Mas a frase também tem um complemento curioso: “Do pequeno príncipe ao Príncipe”. Muitas pessoas acham o livro de Saint Exupéry é apenas um clássico infantil. O livro, terceiro mais vendido no mundo, para mim sempre significou muito mais.

Ele mostra as contradições humanas a partir de diferentes personagens. Fala da falta de tempo, do apego aos bens materiais, do apego ao poder e da vaidade. O pequeno príncipe ensina sabiamente que somos responsáveis por quem cativamos: “Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo”. O livro ensina sobre o que é essencial: “O essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração”.

Já o Príncipe, que completou 500 anos em 2013, é considerado um clássico da administração e da política. Um dos objetivos da obra de Maquiável era mostrar abertamente as práticas adotadas pelos Príncipes para se manter no poder. Como já dissemos, alguns príncipes preferem ser adorados, outros preferem ser temidos. Maquiável mostra o que significa governar pelo amor e pelo medo. Segundo ele o medo tem efeitos mais duradouros na manutenção do poder. Segundo o portal Wikipedia: “o livro é um dos tratados políticos mais fundamentais elaborados pelo pensamento humano e que tem papel crucial na construção do conceito de Estado, como modernamente conhecemos.”

Da infantilidade e inocência do Pequeno Príncipe, no Príncipe somos jogados à dura realidade do poder. O que não significa que estamos afirmando que Maquiavel defendeu a falta de ética na política. Ele mostrou as diferentes formas de se manter o poder. O livro de Maquiável foi banido pela Igreja católica e seu nome Maquiável deu origem ao adjetivo “maquiavélico”.

Como gestores públicos temos que manter a inocência do Pequeno Príncipe, mas não podemos desconhecer a realidade do Príncipe. Infelizmente nem sempre seremos governados por pessoas altruístas e de espírito público. Devemos estar preparados para enfrentar o fuzil com uma rosa, mas também usar o poder da ética e da boa gestão para combater gestores autoritários e incompetentes.

E viva Rosa Louise McCauley, conhecida como Rosa Parks.  

Atenciosamente,
Prof. Jesué Graciliano da Silva

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