Enquanto houver sol…

Entendo que tudo também faz parte de um grande jogo de marketing para se parecer mais simpático aos eleitores em ano pré-eleitoral. House of Cards é uma obra de ficção, mas mostra um pouco da realidade nua e crua da política americana. Mas essa foto do presidente americano servindo as pessoas no Dia de Ação de Graças permite que a gente relembre algo fundamental: ninguém é melhor do que ninguém porque foi eleito para alguma coisa. Apenas tem mais responsabilidades. Somos todos humanos e vivemos, sofremos, nos alegramos e morremos igualmente.

obama

“Dê poder a uma pessoa e saberás quem ela é”. Esse é um ditado antigo que vale para todos aqueles que assumem posições importantes no mundo todo, seja na iniciativa privada ou pública.

Sei que em todos os lugares do mundo há pessoas honestas e desonestas e que, em sua maioria, não há santos na política. Há exceções e é sempre bom que a gente consiga perceber isso para não perdermos a esperança.

Mas no Brasil de hoje estamos vivendo uma situação que me fez lembrar os anos que se antecederam à Revolução Francesa. Em meio à fome que assolava a França, Maria Antonieta teria dito: “Não tem pão, comam brioches”. A classe política, salvo raras exceções, está pouco se importando com a população. A nossa democracia está bem organizada para acabar logo depois do dia da votação. Os eleitos se acham detentores de um poder divino. Se acham acima das leis e acima do bem e do mal. Aliás, eles nomeiam descaradamente aqueles que vão futuramente investigá-los. Aliás, eles podem criar suas próprias leis e até ATOS SECRETOS. E todos estão com seus dossiês contra todos. E assim todos se protegem na lama da imoralidade.

Roubam o quanto podem, depois conseguem pagar milhões para os melhores advogados. Quando são pegos, simplesmente dizem que os outros roubaram mais, como justificativa. Minha filha de 12 anos já percebeu isso sozinha. E inventam esquemas cada vez mais engenhosos para lavagem do dinheiro, para justificar o injustificável. Ficam ricos em 4 ou 5 anos por pura competência. Alguns ainda acham que seu roubo é mais nobre porque teve a boa intenção de ajudar os mais necessitados dentro de um “planejamento estratégico”!

Para alguns, os fins nobres justificam os meios utilizados. O que vejo todos os dias é um festival de manobras para desviar os recursos dos nossos impostos para pagar os elevados gastos de campanha. Um circulo vicioso. As empresas não fazem doações. Elas adiantam recursos e recebem tudo depois. Um vereador que gasta um milhão em uma campanha deveria ser preso preventivamente. Ele vai precisar votar de uma forma que favoreça seus doadores. Todo mundo sabe disso.

Sempre que podem, nossos eleitos gastam o máximo que podem das verbas de gabinete. Usam e abusam das diárias e passagens. Não precisa ir muito longe para perceber isso. E esse mau exemplo vai de Brasília até os municípios mais simples.

Agora há pouco vi uma reportagem mostrando um ex-jogador do Grêmio, que está sendo acusado de ficar com parte dos salários de seus assessores. Esse é o caso mais primário de esperteza. Contratam assessores em excesso para isso. Eu me lembro que esse jogador passou muitas dificuldades e muita gente ficou comovida com ele depois de uma reportagem no Esporte Espetacular onde ele contou sua luta para se recuperar das drogas. Ele até jogou no Criciúma, acho que é o Jardel.

A gente é bombardeado todos os dias com estórias como essa. Já nos acostumamos. E para piorar, a gente vê que políticos importantes, que deveriam dar o exemplo não fazem nada para merecer nossa confiança. Nem com a ação do Supremo podemos ficar realmente tranquilos. Parece que tudo é um jogo de cartas marcadas. Por que será que Joaquim Barbosa pediu para sair mesmo? Será mesmo que são todos inocentes lá?

Ninguém chega àquela posição sem muita política. Não há almoço grátis. Sei que a mídia dá mais ênfase para aquilo que está errado. Meu colega Felipe Silva sempre me dizia que se o cachorro morde o homem, não é notícia, mas se o homem morde o cachorro… Deve ter muita gente séria nesse país preocupada em fazer o bem na política.

A garrafa pode estar meio cheia ou meio vazia. Depende claro como vemos o mundo. Sempre sou um otimista incurável. Mas…as pessoas de bem estão perdendo esse jogo de goleada.

E o problema é quando não se tem uma liderança importante em nenhuma legenda partidária que não esteja comprometida com algum escândalo. Que saudades do Dr. Ulisses ! Essa situação é um prato cheio para o radicalismo. Aprendi muito cedo que não existe vácuo de liderança.

Já ouço diversos colegas e estudantes defendendo soluções extremas. A história não acabou e é feita todos os dias. Não podemos esquecer disso. “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”.

As conexões e hegemonias podem mudar, quando menos se espera. Que o digam aqueles que foram varridos por algumas das revoluções que ocorreram no mundo desde 1500: A Revolução Gloriosa na Inglaterra, a Francesa, a Russa e a Chinesa. Todo mundo adora falar nos ideais libertários da Revolução Francesa. Mas se esquecem que esses ideais foram forjados em banhos de sangue: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE. Não quero simplificar esse evento tão importante para a história da França e do Ocidente, mas me lembro ter estudado que quando estourou a Revolução Francesa em 1789, a população se livrou daqueles que não lhes serviam de nada. Apenas consumiam e queriam mais e mais.

 

No Brasil a classe política está se tornando o PROBLEMA e não a SOLUÇÃO. É como se a gente trabalhasse para sustentá-los em seus privilégios, quando na verdade eles deveriam estar trabalhando por nós, que confiamos neles.

Deveriam estar do nosso lado, liderando a construção de uma sociedade melhor. Mas não estão. Estão do lado deles apenas. Temos responsabilidades como formadores de opinião. Precisamos ficar atentos. Sou um otimista. Vamos avançar no nosso passo, no nosso ritmo.

Pode demorar duas, três ou quatro décadas. Mas vai melhorar… Os eventos de 1984 – das Diretas, de 1992 – Fora Collor e de 2013 – Manifestações nacionais mostram que de vez em quando a população se faz ouvir. Daí os políticos fingem que estão interessados em resolver os problemas da população e tudo se acalma e volta a ser exatamente como antes.

 

“Enquanto houver sol…Quando não houver saída…Quando não houver mais solução…Ainda há de haver saída…Nenhuma ideia vale uma vida…Quando não houver esperança…Quando não restar nem ilusão…Ainda há de haver esperança…Em cada um de nós…Algo de uma criança…
Enquanto houver sol…” TITÃS…   Ouçam a música no link:

https://www.youtube.com/watch?v=RtPryrpbjBo

Atenciosamente,
Professor Jesué Graciliano da Silva
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