Sucesso e fracasso dos estudantes de engenharia nos Institutos Federais

Por muitas décadas as Escolas Técnicas Federais, Escolas Agrotécnicas Federais e CEFETs ofereciam apenas Cursos Técnicos. Somente após a década de 1970 surgiram os Cursos Superiores de Tecnologia.

Há alguns anos passamos também a formar Engenheiros.  A primeira turma do IFSC foi formada lá em Chapecó.

engenheiro

Há alguns anos venho me perguntando que tipo de engenharia os Institutos Federais deveriam oferecer? Será que devemos reproduzir o que acontece nas Universidades mais tradicionais como o ITA, USP, UNICAMP ou UFSC por exemplo?  Nestas instituições os cursos de engenharia são altamente concorridos e os estudantes são testados até seus limites. Muitos desistem pelo caminho ou por falta de vocação ou por insuficiência de desempenho.

No câmpus São José venho trabalhando com estudantes de engenharia desde o ano de 2012. Fui professor de estudantes da primeira, quarta e quinta fase. Ao organizar a disciplina de Estatística e Probabilidade na quinta fase comecei a perceber alguns dados interessantes. De cada 100 estudantes de graduação no Brasil, apenas 6 cursam engenharia. Destes apenas 2 acabam se formando. Nos países da OCDE esse número é de 25. A educação superior no Brasil é essencialmente privada (75% das vagas) e os cursos mais ofertados são Administração, Direito, Pedagogia e outros.

Nem todos os estudantes têm interesse em seguir a vida acadêmica em cursos de mestrado e doutorado. As vezes, em minha graduação, parecia que a preocupação dos professores com deduções matemáticas intermináveis se direcionava a formar cientistas.  Muitos desejam ser engenheiros e construir máquinas, edifícios, criar novos processos químicos…transformar para melhor o mundo em que vivem.

Penso que há excesso de disciplinas e com isso sobra pouco tempo de reflexão para que os estudantes desenvolvam também uma cultura geral em outras áreas. Quantos são capazes de ler livros como a Era das Revoluções, A História da Riqueza do Homem, O povo brasileiro, História do pensamento econômico ou até mesmo conhecer a história de vida de grandes nomes da humanidade como Humbolt, Newton, Galileu, Einstein, Tesla, Mandela, Lincoln, Luther King, Gandhi entre tantos outros. Nem sempre dá tempo. Em algumas universidades americanas os estudantes podem cursar 25% das matérias em qualquer área do conhecimento.  E com isso acabam formando engenheiros mais humanos e mais capazes de compreender o mundo que pretendem transformar para melhor. Vejam que o mais importante é ensinar a aprender a vida toda. Porque as tecnologias mudam muito rápido e se o engenheiro não continuar se aperfeiçoando não vai ter espaço no mercado de trabalho. A quantidade de conteúdo não é o mais importante. Basta lembrarmos do Diagrama 20 / 80 de Pareto. Ouso dizer que 20% dos conteúdos correspondem a 80% daquilo que vamos utilizar durante a vida profissional.

Antes que alguém diga que esse é um “papo de perdedor” gostaria de compartilhar que sou oriundo de uma família humilde, que por mais de duas décadas trabalhava como “boia-fria” nas fazendas do interior de São Paulo. Por necessidade comecei a trabalhar aos 13 anos em um escritório de engenharia civil em Marília. Todo o meu salário ia direto para ajudar nas despesas da casa. Trabalhava o dia todo e estudava à noite. Enfim, com muito esforço fui classificado entre os 50 primeiros estudantes da Engenharia Mecânica no Vestibular da UFSC. Esse era considerado na época o melhor curso do país. E eu havia escolhido por isso porque achava que era a única forma de ter uma vida melhor. E acabei não fazendo feio. Durante toda a graduação tive que arrumar bicos de desenho de arquitetura, trabalhar como monitor para me sustentar. Mesmo assim, consegui me graduar em 4 anos e meio e com média final 8,34 com nenhuma reprovação. Foi a segunda melhor nota entre os formandos. Da minha turma inicial de 50 formaram-se 2 em quatro anos e meio e 11 em 5 anos. Boa parte dos demais ficaram pelo caminho. Essa história de superação é o que me motiva a ensinar hoje. Ter uma profissão mudou minha vida. Abriu caminhos onde não existiam. Por isso sou grato a todos os que me ensinaram a arte e a técnica do desenho. Hoje compartilho os segredos que aprendi.

Quando penso na curva normal (Gaussiana) posso afirmar que os estudantes da engenharia fazem parte da cauda direita da curva normal. Apesar de enfrentarem Vestibulares difíceis ou o ENEM, concorrendo de maneira acirrada para ingressar na universidade, muitos destes estudantes se deparam com situações inusitadas durante a graduação. Descobrem que não são bons o bastante. Mas discordo. São a nata de sua geração. Porque a maioria dos brasileiros não alcança nem o Ensino Médio. Então tem algo errado.

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Não desejo explorar aqui os motivos. Todos devem ter suas percepções e são válidas. Mas apenas deixar uma reflexão. Será que não há nada de errado como essa maneira de organizar os cursos? Reproduzimos o que nossos professores nos ensinaram. Para alguns que sobreviveram às dificuldades na engenharia e se tornam professores parece ser natural que os estudantes tenham que superar as mesmas dificuldades que eles. Mas será que é desse jeito que vamos formar bons engenheiros em uma sociedade do conhecimento?

Entendo que os professores das Engenharias do IFSC deveriam se encontrar para conversar sobre métodos de ensino, compartilhar material didático de disciplinas comuns, discutir a evasão e até mesmo problemas como depressão e tentativas de suicídio, que tem ocorrido nos diversos campi. Vejo diversos estudantes a beira de um colapso, chorando e deprimidos. Não acho que isso seja natural. Entendo que devemos empoderar nossos estudantes de engenharia para que eles saiam do cursos motivados e encorajados a inovar e a empreender. Mas receio que, por não termos experiência na oferta desse tipo de curso e por reproduzirmos o que vimos nas universidades tradicionais possamos estar cometendo alguns erros e prejudicando a caminhada de dezenas de jovens.

Há estudantes que têm mais dificuldades que outros. Isso é normal. Mas o que podemos fazer para acolher? O que podemos fazer para que superem as dificuldades e sigam em frente?

Dos que frequentaram as aulas até o final, nenhum aluno reprovou em 4 anos e meio em que atuei na engenharia. Mas para isso já apliquei 3 recuperações. E sou adepto das pré-provas para que todos saibam o que entendo ser mais importante. E utilizo videos de curta duração para a solução dos exercícios preparatórios. Tenho organizado blogs com material complementar e também utilizado o Facebook para manter contato direto com os estudantes.

Deve ter outras experiências que vem dando certo no Estado. Entendo que deve existir uma troca de experiências sobre como podemos ajudar nossos estudantes a lidar melhor com as dificuldades que enfrentam. Muitos acabam vindo de outras regiões do país, de outra cultura e têm dificuldades de adaptação. E estão sozinhos sem apoio da família. Faz parte da travessia para a vida adulta eu sei. Mas muitas vezes eles precisam de uma palavra amiga e de atenção. Muitos não aprenderam ainda a estudar porque nunca lhes foi exigido tanto.

Tenho tentado encorajá-los mostrando que eles têm capacidade de superar os obstáculos.

https://segredosdaestatistica.wordpress.com/semanas/

Espero que essa mensagem possa contribuir para a discussão. Não há respostas fáceis.

A seguir compartilho um texto elaborado para uma palestra sobre Técnicas de Estudo.

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As novas tecnologias terão cada vez mais impacto na forma como os professores ensinam e na forma como os alunos aprendem.

Vivemos uma fase de transição e precisamos compreender que se não INOVARMOS estaremos ensinando do mesmo jeito que era feito na época de nossos avós. Mas estamos na era do conhecimento e da convergência digital.

A tendência é a ampliação do acesso à internet sem fio (wireless). Em poucos anos, centenas de cidades brasileiras permitirão acesso à internet  gratuitamente (em alguns casos é exigido a comprovação do pagamento do IPTU).

A tendência é que nossos arquivos digitais sejam depositados em repositórios da nuvem digital chamada de “cloud”.  Já são populares os repositórios Dropbox, Picasa (Fotos) e Google Docs.

Isso significa que cada vez mais teremos facilidade de acessar as informações que precisamos em qualquer lugar, sem a necessidade de carregar os vários CDs, pendrives e HDs externos.

O famoso professor Salman Khan (Khan Academy) está produzindo e publicando na internet milhares de aulas, explicando temas simples e complexos.

As aulas do prof. Khan têm duração de poucos minutos. Elas já foram assistidas por milhões de pessoas no mundo. Ele explica que faz vídeos curtos porque o tempo de concentração efetiva dos estudantes é pequeno. Temos que considerar esse fato durante nossas aulas.

Há também dezenas de professores brasileiros produzindo e disponibilizando excelentes aulas e animações digitais. Em breve a maioria do conhecimento ensinado no ensino médio, nos cursos técnicos e nos cursos superiores das universidades estará disponível na internet.

Isso significa que a informação estará disponível para ser acessada sempre que o estudante precisar dela a qualquer hora e local.

Imagino que poderemos até escolher o professor para explicar determinado assunto, pois haverá diversas explicações disponíveis sobre o mesmo tema. Poderemos comparar as diferentes versões e construir uma nova explicação a partir delas.

Nesse novo cenário, de um futuro não tão distante, poderemos investir mais tempo discutindo com os estudantes A APLICAÇÃO EFETIVA de determinados assuntos.

Dizer para o aluno que um assunto será útil um dia ou dizer que determinado assunto serve para exercitar o raciocínio já não satisfaz.

Muitas vezes, a história do desenvolvimento de determinado assunto é mais interessante do que ele.  Podemos pensar: por que Isaac Newton desenvolveu o cálculo diferencial ? O que levou à famosa “guerra das correntes contínua e alternada”?   O que levou James Watt a desenvolver a máquina a vapor? Qual a relação entre a invenção do telégrafo e do telefone ? O que isso significou para o mundo?

Podemos poupar um bom tempo que atualmente é utilizado no repasse de informações que são copiadas pelos estudantes.

O grande educador Rubem Alves afirma em suas palestras que precisamos ensinar nossos estudantes a PENSAREM.

Além de pensarem sobre os conteúdos ministrados, eles precisam saber onde encontrar as informações de que precisam.  O ideal é que os estudantes pudessem ler os textos e assistir os vídeos dos assuntos antes das aulas. O tempo de contato entre os professores e alunos seria utilizado para debater os assuntos. Isso é o que é vem sendo realizado em diversos cursos de Harvard atualmente.

Sabemos que o tempo tem se tornado um bem cada vez mais escasso em nossas vidas.

Por isso é preciso saber otimizar e priorizar nossas ações. Existe um teorema interessante utilizado na área de gestão e que diz que se temos 100 coisas para fazer, apenas 20 delas trarão 80% dos resultados.  Trata-se do teorema de Pareto ou Teorema 80 / 20.   Isso vale também para a área da educação.  Muitas vezes não sabemos priorizar os conteúdos mais importantes de um assunto e nos perdemos em detalhes insignificantes. Entendo que os docentes e orientadores educacionais são fundamentais para orientar os estudantes sobre a qualidade das informações disponíveis na internet.

Cada ser humano tem uma forma de aprender diferente. Algumas pessoas aprendem ouvindo, outras vendo, outras praticando, outras interagindo. Temos que respeitar isso como educadores.

Todos os estudantes deveriam refletir sobre quais são seus estilos de aprendizagem.

Saber tirar proveito deles é uma forma simples de aprender de forma mais eficiente.

Na sociedade do conhecimento recebemos um bombardeio diário de informações.  Saber diferenciar o que é útil daquilo que é lixo eletrônico é um grande desafio para os estudantes e docentes.

Durante o segundo grau nunca me preocupei com técnicas de estudo. No entanto, durante a preparação para o vestibular foi necessário organizar de forma sistemática uma grande quantidade de informações.  Foi nessa fase que conheci as primeiras dicas de como aprender de forma mais eficiente: aprendi melhor organizando resumos, fazendo esquemas ilustrados, elaborando cartazes coloridos, assistindo atentamente as aulas, assistindo videoaulas do Programa Vestibulando (TV Cultura), resolvendo provas antigas, realizando simulados, elaborando perguntas e respostas e estudando de forma concentrada no silêncio da Biblioteca Municipal de Marília.

Durante o curso de Engenharia  Mecânica o volume de informações e a complexidade dos conteúdos aumentaram muito. Nesse período foi necessário aperfeiçoar minha forma de estudar.

Um hábito simples que desenvolvi foi o de estudar muito para as primeiras provas do semestre. No início do semestre sempre estamos  mais descansados e o volume de informações a estudar normalmente é menor.

Isso fazia com que ao longo das semanas seguintes os novos conteúdos se tornassem mais simples. Alguns alunos deixavam para estudar apenas para as provas finais quando o esforço era muito maior. A dificuldade aumentava porque os conceitos básicos não haviam sido aprendidos no tempo certo.

Outro hábito era o de estudar de forma “iterativa” Algo parecido com a leitura dinâmica. Quando eu necessitava estudar 200 páginas, procurava não estudar de forma linear página por página. Preferia passar os olhos no texto do início ao fim.  Procurava analisar as idéias principais, objetivos, conclusões,  ilustrações e gráficos. Essas informações do final do texto se mostravam úteis quando eu retornava ao início. Por isso chamo de método iterativo, pois há semelhança com o método de iteração numérica. A cada “loop” é possível aumentar o nível de fixação dos assuntos estudados.

Nesse período aprendi com o grande prof. Luiz Teixeira do Valle Pereira (EMC) que estudar é como praticar uma atividade física. Quanto mais estudamos mais fácil aprendemos novos conteúdos. Temos que pensar o cérebro como um músculo que precisa ser estimulado. Exatamente como a prática de um esporte. No começo é mais difícil e depois torna-se uma automático. Por isso devemos estudar sempre todos os dias, nem que seja apenas 1 hora. Essa disciplina é importante para manter nosso cerébro preparado para aprender novos conhecimentos a cada dia.

Após concluir o curso de Engenharia Mecânica, ingressei na ETF-SC (atual IFSC) e pude compartilhar e aperfeiçoar minhas técnicas. Durante mais de 20 anos tenho convivido com centenas de professores e com milhares de estudantes jovens e adultos. Um grande exemplo que tivemos foi professor Hyppolito. Tenho observado as mais diferentes formas de aprender e de se ensinar.  Não existe um método que funciona para todas as pessoas. Cada um precisa desenvolver seu próprio método, respeitando suas habilidades.

Continuo estudando e aprendendo como estudar ainda hoje. Considerando os problemas de mobilidade urbana podemos gravar com as nossas palavras um resumo de determinado texto para ouvir no rádio do carro (mp3). Podemos aproveitar algumas horas que perdemos durante a semana para aprender.

Sabemos que não podemos ensinar os mais jovens da mesma forma que ensinamos os adultos.  A experiência concreta dos adultos é decisiva no processo de ensino-aprendizagem. Por isso, ensinar alunos dos cursos técnicos da modalidade pós médio tem sido um grande desafio. Na mesma turma normalmente estão presentes alunos de 18 a 50 anos.  Em alguns momentos é necessário preparar dois tipos diferentes de materiais para a mesma turma.

Durante anos tenho me deparado com diversas indagações dos estudantes:  É possível estudar menos e aprender melhor? É possível aprender sem estudar ? Qual a diferença entre estudar e assistir aulas? O que a EAD tem de diferente da educação presencial ? Como as novas tecnologias alteram o processo de ensino aprendizagem ? É possível utilizar as novas tecnologias da informação para aprender melhor? Qual a diferença entre um aluno e um estudante? O ambiente de estudo influencia no aprendizagem? É melhor estudar em grupo ou de forma individual?

Apresento a seguir algumas ponderações superficiais para cada uma dessas perguntas a partir da experiência pessoal como estudante e professor.

É possível estudar menos e aprender melhor?  
Compreendo que que sim. É possível estudar menos e aprender melhor. Mas aprender melhor não significa apenas tirar boas notas. Aprender é para a vida toda.  Na maioria das vezes não lembramos mais nada de um assunto mesmo depois de ter obtido bons conceitos. Quando se aprende de verdade não se esquece. Tirar boas notas não significa necessariamente que aprendemos um assunto. Mas quando aprendemos efetivamente um conteúdo normalmente tiramos boas notas. Para estudar menos e aprender melhor é preciso que tenhamos conhecimento de nosso estilo de aprendizagem. Se somos pessoas que aprendemos mais ouvindo alguém falar, não adiantará ficar fazendo resumos e esquemas. Nesse caso, gravar a aula e escutar durante o trânsito ou quando estamos nos exercitando trará melhores resultados. Se queremos aprender mais e estudar menos precisamos saber que lembramos apenas 10% do que lemos; 20% do que ouvimos; 30% do que vemos; 50% do que vemos e ouvimos; 70% do que discutimos com outros; 80% do que nós, pessoalmente, experimentamos; 95% do que ensinamos aos outros.

É possível aprender sem estudar ?
Ouvi essa frase dos alunos: Eles diziam que gostavam de aprender mas não gostavam de estudar. Na verdade eles não gostavam de estudar da forma convencional.  Eles gostavam de ir para o laboratório e entender como os fenômenos físicos aconteciam.  Eles gostavam de discutir a utilidade dos conteúdos.  Há pessoas que aprendem sobre determinado livro representando uma peça teatral com os amigos. O que poderia ser um estudo chato torna se algo estimulante. Se estudamos de forma divertida aprendemos sem estudar !

Qual a diferença entre estudar e assistir aulas?   
No ensino tradicional, ASSISTIR AULAS muitas vezes é uma atividade passiva e coletiva.  Os alunos podem estar pensando em qualquer coisa enquanto o professor está falando. É evidente que há professores que sabem se comunicar bem com os estudantes e tornam suas aulas dinâmicas e participativas.  O processo de ESTUDAR é uma atividade ativa e solitária. Temos que refletir sobre o assunto, fazer relações, analisar as aplicações na nossa vida. Ninguém poderá fazer isso por nós.

O que a EAD tem de diferente da educação presencial ?
Existem muitas metodologias para educação a distância. Mas em todas elas o estudante precisa assumir a responsabilidade pelo seu aprendizado. Passamos pelo ensino tradicional onde era preciso que o aluno e o professor estivessem no mesmo espaço para existir o aprendizado. Com a EAD, o aluno e o professor podem estar em espaços e em tempos diferentes. A educação a distância oferece um roteiro bem definido para facilitar o aprendizado dos estudantes. O aluno precisa ter mais disciplina. Precisa fixar horários de estudo, mesmo que ninguém o cobre. Ele tem a vantagem de estudar nos horários que lhe é mais conveniente.

Como as novas tecnologias (TICs) alteram o processo de ensino aprendizagem ?
Com as novas TIC é possível aprender de forma mais interativa. Encontramos material de estudo de excelente qualidade no Portal do Professor, na Biblioteca Mundial, na Bibvirt, no Domínio Público, na Wikipedia, no Portal Khan Academy, no Portal Youtube, no Google entre outros. Os estudantes podem obter grande quantidade de informações de forma rápida e isso faz com que seja necessário ter bom senso para saber filtrar informação útil do lixo eletrônico disponível na internet.  Nos próximos anos é possível que a maioria das aulas presenciais já tenham sido gravadas e estejam disponíveis na internet ao alcance de todos. Cada vez mais a educação tradicional e a educação a distância vão se tornando uma única forma de se aprender. Poderemos estudar o que desejarmos e continuar aprendendo ao longo de toda a vida. Podemos interagir com pessoas que estão estudando os mesmos conteúdos em comunidades virtuais (portais sociais), compartilhando nossas dúvidas e aprendendo com as reflexões dos colegas.

É possível utilizar as novas tecnologias da informação para aprender melhor?
Sim, sabendo utilizar as novas TICs podemos aprender mais rápido e melhor. Por exemplo: se procuramos material sobre estatística na internet encontraremos muitos textos, sites e vídeos com exercícios resolvidos. Podemos utilizar esses vídeos para complementar nosso estudo convencional. Em algumas situações é possível gravar as aulas para escutar durante o trânsito.  Alguns professores fazem atendimento e tiram as dúvidas dos alunos por meio de Skype, Moodle, Chats, Correio eletrônico e MSN. Alguns alunos utilizam as mídias sociais para conversar sobre suas dúvidas.

Qual a diferença entre um aluno e um estudante?
De forma simplificada podemos dizer que o ALUNO é um ser passivo no processo de ensino-aprendizagem. Um aluno assiste aula. Ele está presente, mas nem sempre concentrado nos assuntos do dia. Um ESTUDANTE é um ser ativo e assume a responsabilidade pelo seu aprendizado. Um ESTUDANTE pode estudar em casa, mas também pode ser ativo na sala de aula. Pode estar com o livro aberto no assunto, acompanhando o que está sendo dito pelo professor, comparando e interpelando.

O ambiente influencia no aprendizagem?
Sim, ambientes climatizados, bem iluminados, limpos, com mobília ergonômica, silenciosos são mais agradáveis e favorecem a concentração. Esse conceito estendido para uma escola torna se interessante: quando os estudantes sentem se a vontade com os colegas e com o espaço escolar eles aprendem melhor.

É melhor estudar em grupo ou de forma individual?
Dependerá sempre do tipo de assunto e de cada estudante. Há pessoas que aprendem melhor em grupo.  Entendo que o ideal é o equilíbrio.  Podemos ter momentos de estudo individual para compreensão e reflexão e momentos coletivos para troca de experiências. Explicar o que entendemos sobre um assunto para o colega faz com que a retenção do conteúdo seja aumentada. Quem ensina o que sabe aprende duas vezes.

Espero que essas informações possam ajudar na reflexão sobre como ensinamos e como aprendemos. Quem tiver boas dicas de técnicas de estudo pode enviar.

Atenciosamente,

Prof. Jesue Graciliano da Silva

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