Educação financeira vem de casa

Recentemente foram alteradas as regras para pagamento do rotativo do cartão de crédito.  Receio que a mudança vá causar uma mudança no comportamento de milhões de brasileiros. E muitos deverão aprender a fazer cálculos simples sobre taxas de juros. Aliás, os juros do cartão de crédito são exorbitantes e dizem que isso se deve à inadimplência.  Muitas pessoas não conhecem a diferença entre juros simples e compostos.  Muitas pessoas não compreendem a importância de se ter uma reserva financeira para emergências.

Nesse momento de  grave crise política e econômica, que tem no elevado nível corrupção um dos seus elementos agravantes, muito vem se falando da Reforma da Previdência, do rombo das contas públicas e no forte desemprego. Infelizmente muitas pessoas não sabem se planejar para momentos ruins. Sei que uma parcela da população brasileira vive abaixo da linha de pobreza – em torno de 21% – e necessita se preocupar primeiro com a sobrevivência no presente. São pessoas que necessitam da proteção do Estado de forma mais imediata. Mas também seriam os mais beneficiados se a economia do país pudesse crescer com redução das desigualdades sociais. Por quase uma década foi essa a nossa expectativa. Uma gestão eficiente da economia deveria ser medida pela capacidade de se  reduzir o número de brasileiros dependentes de programas sociais.

Alguns indicadores atualizados da economia brasileira podem ser encontrados nos links:

http://pt.tradingeconomics.com/brazil/indicators

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/br.html

Meus conhecimentos na área financeira foram inicialmente empíricos. Sendo o oitavo filho de uma família humilde, dos 10 aos 13 anos de idade ajudei a cuidar de um bar em Marília, interior de São Paulo. Aos 13 anos comecei a trabalhar como desenhista em um escritório de engenharia. Desde então acumulei alguns conhecimentos financeiros importantes. Graças a eles foi possível acumular recursos para cursar Engenharia Mecânica na UFSC.  Ao longo dos anos tenho realizado investimentos sempre com muito cuidado e dentro de um planejamento financeiro cuidadoso. Tentando usufruir de uma boa qualidade de vida no presente sem descuidar do futuro. Nem sempre é fácil esse equilíbrio. Muitas vezes já fui chamado de Tio Patinhas por isso.

Atualmente tenho a preocupação de ensinar aos meus filhos alguns conceitos básicos de economia. E tenho certeza que muitas outras famílias têm esse desafio. Um país economicamente mais saudável começa com ensinamentos simples em casa. Ter conhecimentos básicos de economia pode nos ajudar em momentos difíceis e evitar o endividamento. Também pode ajudar a nos planejar para um futuro que só escapam aqueles que morrem cedo.

Como a maioria dos brasileiros também me preocupo com a saúde financeira da Previdência Social. Penso que há má administração dos recursos. Há fraudes e muitas pessoas recebendo indevidamente. Honestamente não acredito nos números apresentados pelo Governo Federal para defesa da Reforma. Mas receio que os dados apresentados por aqueles que se opõem a ela também não sejam confiáveis.

É possível que o déficit da previdência tenha sido exagerado para facilitar a aprovação da reforma pelo Congresso. A elevação da idade mínima e tempo de contribuição vai inviabilizar a aposentadoria pública de milhões de trabalhadores. Em certas profissões, com o passar dos anos é cada vez mais difícil a recolocação no mercado de trabalho.  Se a Previdência Social for inviabilizada na prática, entrarão em cena os Planos de Previdência Privada.  É um mercado bilionário que será explorado por grandes empresas financeiras. Muitas delas são apoiadoras dos deputados que defendem a reforma da previdência, o que por si só é um absurdo. A lógica é simples.  Entendo que o colapso do Sistema Único de Saúde interessa aos Planos de Saúde. O colapso da educação pública interessa às escolas particulares. O colapso da segurança pública interessa às empresas de vigilância privada.

Entra ai um conceito básico da economia que é o da ESCASSEZ.  A escassez de boas escolas públicas é uma oportunidade para a iniciativa privada e assim por diante. Nessa semana comprei um livro com esse título. Em breve comentarei mais sobre o assunto.

Bom estudo !

Prof. Jesué Graciliano da Silva

 

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