1984 aqui vamos nós…

Caros colegas, nesse início de ano as vendas do livro “1984” de George Orwell dispararam.

A eleição de um  empresário exótico e especialista em marketing pessoal / televisão resgatou o interesse pelo livro. TRAMPOLINO gosta de dar versões alternativas para os fatos…

Para os que não leram ou não se recordam esse livro deu origem à expressão “Big Brother – O Grande Irmão”. O livro foi publicado em 1948 e conta uma estória que se passa em um futuro próximo: 1984,  quando após intermináveis guerras, o mundo estava dividido entre três grandes blocos:  Oceania, a Eurásia e Lestásia.   A história se passa na Oceania. Um dos verbos mais interessantes que aprendi nesse livro é DUPLIPENSAR –  “ato de aceitar simultaneamente duas crenças contraditórias como corretas, muitas vezes de distintos contexto sociais”.

Quem quiser também ver o filme completo basta acessar o link disponível no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=c4wuwEIQafg

George Orwell havia imaginado um mundo em que o Estado estaria vigiando continuadamente as pessoas (Big Brother).   No ano de 2013 e 2014 conhecemos vários escândalos envolvendo atos de espionagem das chefes de estado do Brasil e da Alemanha pelo governo americano. E vejam que isso foi feito pelo queridinho da América – Barack Obama. Agora imagina esse poder na mão de quem não tem nenhum escrúpulo e compromisso ético. A prática desconsidera a soberania das nações. Dizem que as informações obtidas servem para chantagem e vantagens nos grandes negócios firmados entre os países “amigos”. Apesar da saia justa com que ficou Barack Obama com o discurso da ex-presidente Dilma na abertura ONU tenho certeza que nada mudou.

De fato ninguém tem privacidade absoluta.

E o próprio TRAMPOLIM pode perfeitamente ter sido pego em gravações indiscretas na Rússia. Mas agora ele é o todo poderoso e temos que ficar atentos e vigilantes. Suas decisões apressadas não são um bom sinal. Ou ele é um gênio, o que não duvido, e está fazendo cortina de fumaça em assuntos menos relevantes para desviar a atenção dos americanos. É muito comum essa estratégia. Vamos acompanhar.

O curioso é que na atualidade  nós mesmos expomos nossas vidas para o Grande Irmão por meio do Facebook e outros aplicativos. Isso George Orwell havia jamais imaginado. O cenário atual é muito pior do que ele jamais sonhou.

As palavras da moda são: METADADOS,  mineração de dados e BIG DATA.

No Facebook deixamos expostos a lista de nossos livros e filmes preferidos, fazemos comentários e curtimos determinados assuntos, mais do que outros. Isso é um prato cheio em um mundo em que softwares potentes são capazes de cruzar volume gigantesco de informações.

Um programa simples chamado Wolfram – especializado em análises estatísticas faz em instantes uma varredura em nossa conta do Facebook e gera dezenas de gráficos mostrando as palavras que mais usamos, os nossos contatos preferidos entre outras informações – Facebook report. Parece bobagem, mas com essas informações somos bombardeados de propagandas que induzem nosso consumo. Nada é por acaso. Isso é a face visível do Big Data ou do Big Brother ?

O link do Wolfram é:  http://www.wolframalpha.com/input/?i=facebook+report.  Faça você mesmo um teste e se surpreenda. Eles sabem muito mais sobre nós do que nós mesmos. Porque nossos comportamentos são muitas vezes inconscientes.

Muitas empresas brasileiras já utilizam essas informações disponíveis no Facebook como mecanismo de pré-seleção de novos colaboradores. Por isso é preciso cuidado com o compartilhamento de publicações irresponsáveis. Não adianta dizer que não sabia que era mentira. Há responsabilidade civil e criminal envolvida. Se não tem certeza da veracidade, ignorar é o melhor a fazer.

Há muita mentira sendo disseminada na internet como verdadeira. E no período eleitoral isso aumenta exponencialmente. Os partidos costumam contratar centenas de internautas para criação de perfis falsos e produção de ataques a seus adversários. A eleição de 2014 no Brasil e a de 2016 nos EUA mostraram o pior cenário possível. Não há limites para se vencer as eleições. Depois tem-se uma oposição indignada e ressentida com a baixaria. Joseph Goebbels – apoiador de Hitler dizia que uma mentira contada mil vezes torna-se verdade. É essa prática que vem sendo utilizada na política brasileira por aqueles que estão no poder e por aqueles que estão fora dele.

Muitos gestores públicos têm vontade de reescrever a história. Deveriam criar então o Ministério da Verdade e contratar o especialista Winston Smith, muito experiente no assunto. Já temos o Ministério da Transparência.

Acredito na gestão do conhecimento, na melhoria contínua, na alternância do poder e no compartilhamento de boas práticas como essenciais para a gestão pública.

Ao invés de cada um fazer seu trabalho, o que vemos Brasil afora são acusações antiéticas contra os que já deixaram os cargos e falta de compartilhamento de informações.

A cada 4 anos, em muitas prefeituras brasileiras os arquivos dos servidores de dados são apagados para dificultar a arrecadação municipal nos primeiros meses.

O Brasil precisa de gestores públicos que tenham consciência de que as instituições não são suas propriedades. Nenhum gestor pode apagar  totalmente o passado.

Temos que reconhecer  sempre o que nossos antecessores fizeram de bom e melhorar o que precisa. Erros são humanos e fazem parte da gestão pública. Como lidamos com nosso erro e com o erro de nossos antecessores mostra nosso caráter.

 

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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