Inovação na formação de engenheiros franceses

No dia 24 de julho de 2014 realizei visita técnica ao CESI – LA ROCHELLE. Fui recebido pela prof. Kátia Mendonça, que atuou por 15 anos na PUC-Curitiba.

Para fins de comparação o CESI é similar aos Institutos Fraunhofer da Alemanha. A França tem 24 instituições com esse perfil de forte articulação com o setor produtivo. Ao todo há parceria com 9.000 empresas.

Escola de Engenharia do CESI surgiu na década de 1950 a partir de uma ação da Renault, para elevação da escolaridade de seus profissionais de nível técnico em nível de engenharia. Por isso, desde sua concepção o CESI foi criado para contribuir para o desenvolvimento das empresas francesas. O CESI La Rochelle surgiu em 2014. A pesquisa no CESI tem dois temas: “Aprender e Inovar” e “Engenharia e Ferramentas numéricas”. E esses dois temas tem duas aplicações: ou a cidade do futuro ou a indústria do futuro.

Toda a estrutura pedagógica e a edificação inteligente são partes da nova metodologia desenvolvida no CESI – La Rochelle – dentro do tema Cidade do Futuro. 

Inicialmente o que me chamou a atenção foi a configuração arquitetônica da edificação. O prédio está localizado em um bairro onde as todas as construções precisam ser sustentáveis. Por isso há diversos sistemas de controle de temperatura, umidade e percentual de gás carbônico.

Conheci diversos laboratórios onde são realizadas atividades de pesquisa e prestação de serviços para empresas, principalmente da área de construção civil. Um dos cursos oferecidos é similar ao de Engenharia de Produção Civil oferecido no Brasil.

O CESI se preocupa com a formação do engenheiro do terceiro ao quinto ano. Os alunos que tenham realizado a parte básica de qualquer engenharia podem se candidatar ao CESI. E o diferencial é a forte articulação com o setor produtivo. Há uma preocupação grande de como impactar no desenvolvimento regional.

Os graduandos são empregados por empresas, onde fazem parte de sua formação profissional. Para tanto recebem salário. O cronograma de atividades prevê ao longo de cada período um conjunto de semanas na empresa e um conjunto de semanas no CESI.

As aulas no CESI não são convencionais. Os estudantes aprendem, principalmente, a partir de solução de casos concretos trabalhando em grupo. As salas de aula do CESI foram projetadas com esse objetivo.

Cada projeto deve ser resolvido a partir de um roteiro pré-estabelecido pelo PILOTO da turma. Cada turma também tem um TUTOR. O processo de formação tem a preocupação de promover a autonomia dos estudantes. As poucas aulas programadas são diferentes. Servem para que os estudantes tragam questões práticas e teóricas não compreendidas durante o desenvolvimento dos projetos.

Prof. Kátia relatou que uma de suas funções é a supervisão destes estudantes em suas atividades nas empresas. O interessante é que eles estão distribuídos em toda a França. Na foto abaixo há a indicação dos locais onde estão trabalhando os estudantes do CESI – La Rochelle.  Ou seja, apesar dos estudantes cursarem engenharia em La Rochelle, o eficiente sistema de transportes francês permite que eles estejam trabalhando em empresas de diversas partes do país. O acompanhamento dos estudantes nas empresas é uma grande oportunidade dos professores  estreitarem laços com o setor produtivo.

Uma das áreas em que o CESI desenvolve pesquisa é em Qualidade do Ar e em Eficiência Energética de Edificações. Para avaliar uma edificação os estudantes utilizam softwares baseados na metodologia BIM – Building Information Modeling. Essa metodologia é obrigatória na Comunidade Europeia. Ou seja, todos os projetos devem prever as interferências e serem documentados dentro do conceito BIM.

Segundo prof. Kátia,  a plataforma CYPE é uma ferramenta interessante para o ensino de condicionamento de ar, pois permite através de uma abordagem BIM determinar a carga térmica e analisar o desempenho energético de ambientes, assim como traçar sistemas de distribuição de ar.

CYPETHERM  – Versão em Português

 

O CESI também trabalha com plataformas de realidade virtual e realidade aumentada na área de engenharia industrial. Como exemplo prof. Kátia citou o caso de um simulador utilizado para a manutenção de equipamentos de produção de energia eólica. Os profissionais são capacitados no simulador e depois acompanhados on-line durante a prática por especialistas localizados em uma base de apoio.

Para saber mais:

https://recherche.cesi.fr/

Por iniciativa do prof. Marcos Garcia, o IFSC encaminhou um Termo de Cooperação com o CESI o que facilitará a mobilidade de estudantes e professores.

Penso que a metologia de ensino desenvolvida no CESI é avançada até para os padrões europeus. Há uma preocupação com o desenvolvimento territorial na localização dos CESIs e na forma como seus cursos são organizados. Há uma grande preocupação com o desenvolvimento do senso de autonomia dos futuros engenheiros. E isso acontece pela prática profissional durante o curso e pela metodologia de projetos.

Para saber mais:

Fiches présentation Labo Tipee Eng-20170331

Tipee_Plaquette A4_ENG_MaJ_Mai2017_Web_PaP

Fiche – Bâtiment Test Tipee – 2

Fiche – Maison Eurêka TIPEE2

O que são os CESIs

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