Há 25 anos tornei-me engenheiro e professor

Na data de hoje, há 25 anos graduei-me Engenheiro Mecânico pela UFSC. E desde então venho lecionando para técnicos de refrigeração e climatização. Recentemente, também tenho contribuído para a formação de jovens engenheiros de Telecomunicações.

Vivemos em um mundo cheio de possibilidades. Começamos a falar da internet das coisas e do risco real dos robôs roubarem milhões dos atuais empregos. Nunca a frase do prof. Alvaro Prata se mostrou tão acertada: Somos limitados pela nossa imaginação. Nunca a ciência e tecnologia foi tão importante para o desenvolvimento de um país.

No Brasil são formados, aproximadamente, 60 mil engenheiros por ano. A China forma 450 mil engenheiros ao ano. Na era da inovação esse fato vai aprofundando a diferença entre os países que desenvolvem tecnologia e países que compram tecnologia.

Tenho orgulho de ser engenheiro e professor em um país onde apenas 6% dos graduandos fizeram essa opção. E onde apenas 2% dos jovens escolhem a docência. Nada contra as outras profissões, mas precisamos de mais engenheiros, de mais professores e de mais inovação.

No dia 14 de agosto de 1993 realizei um sonho que havia começado 10 anos antes, quando comecei a trabalhar como auxiliar de desenhista de engenharia civil (exatamente no dia 11 de agosto de 1983) em Marília, interior do estado de São Paulo.

A decisão de cursar engenharia acabou sendo natural, inspirada em algumas pessoas especiais na minha vida: Agenor Perineti, meu super professor de Matemática, engenheiros José Martin Crulhas, Guelder Bersanetti Muller, Horácio Yamashita – com quem trabalhei na adolescência – e meu saudoso pai Rufino. Quando estava cuidando do bar da família, ele sempre me chamava de  “Meu Engenheiro” e de “Meu Doutor”.

Lembro-me do orgulho que senti naquela noite de agosto no auditório da FIESC. Olhei para minhas irmãs Cleide e Judite na platéia e pensei nas dificuldades que passamos juntos. Começamos muito cedo a fazer balainhos de café em uma cooperativa instalada ao lado de nossa casa. Esse destino foi partilhado por muitos amigos de infância.

Pensava em como foi possível um menino pobre, que trabalhava de dia e que estudava à noite em uma escola pública de periferia de uma cidade do interior passar no vestibular para um dos mais importantes cursos de engenharia mecânica do país?  E como foi possível conseguir se formar antes do prazo, mesmo tendo que trabalhar para se sustentar durante todo o curso?

Naquela noite percebi que a perseverança, a força de vontade e a disciplina eram capazes de nos levar a qualquer lugar. Tive a certeza de que a educação é capaz de transformar para melhor a vida de uma pessoa. E se a educação pôde mudar a minha, então pode mudar milhões de outras. É por esse ideal que continuo motivado a ensinar o pouco que venho aprendendo ao longo dos anos.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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