Atlas da Violência 2018

Nada melhor do que a leitura dos relatórios oficiais sobre a violência para entender o tamanho do problema que enfrentamos. As estatísticas explicam porque a questão da SEGURANÇA ocupa o centro da discussão eleitoral.

O Brasil é o país com maior número absoluto de assassinatos: 63 mil assassinatos por ano. Só para se fazer uma comparação, nos EUA são assassinados 16 mil pessoas por ano. A população dos EUA é de aproximadamente 327 milhões de pessoas. A do Brasil é de aproximadamente 210 milhões de pessoas.

http://www.forumseguranca.org.br/publicacoes/atlas-da-violencia-2018/

A seguir disponibilizo algumas estatísticas para mostrar como a violência está distribuída no território nacional. É impressionante perceber que o Estado da BAHIA – onde nasceram meus pais –  ocupa a primeira posição em número de assassinatos.

No mês passado, foi assassinado à facadas o pró-reitor do IFBA – prof. Anilson Roberto Cerqueira Gomes. Eu o considerava um bom amigo.

Prof. Anilson era uma pessoa extremamente gentil e pró-ativo. Era sorridente e estava sempre pronto para ajudar os colegas. Tive a satisfação de participar com ele do grupo de trabalho que avaliou os projetos enviados pelas prefeituras em resposta à Chamada Pública 01/2007 durante o Plano de Expansão 2. Desde então nos encontramos diversas vezes ao longo do tempo durante as reuniões do PRODIN e do CONIF. Certa vez ele fez uma leitura atenta de meu livro – Do Discurso à Ação – e apresentou diversas sugestões. O assassino de Anilson foi um adolescente de 17 anos, que dificilmente cumprirá pena.

A maioria dos assassinatos no Brasil fica sem solução. Apenas 5% dos crimes são elucidados e acabam em punição. Nossa Justiça custa 90 bilhões por ano, mas parece estar enxugando gelo. São 80 milhões de processos aguardando julgamento. Em Santa Catarina são 3 milhões na fila. Nesse ritmo a impunidade é a única certeza dos criminosos. Até quando?

Analisando-se os dados percebemos que os jovens negros de 15 a 24 anos são as maiores vítimas.  Essa é outra questão que precisa ser bem compreendida.

Mesmo durante o período de estabilização econômica, de geração de empregos e da criação dos diversos programa de segurança alimentar o número de assassinatos continuou subindo. O que desafia a lógica. Há uma década votamos pelo desarmamento. Mas vemos que o número de mortes por arma de fogo só cresce ao longo dos anos.

Um desperdício humano sem igual. Uma guerra sem sentido.

No texto a seguir fica claro o fracasso das políticas de segurança pública ao longo dos últimos 20 anos. A curva é ascendente e isso tem me assustado. Onde vamos parar? A ideia do brasileiro cordial é uma piada. O criminoso brasileiro é violento, frio e tem a certeza da impunidade. Não se contenta mais em matar. O número de crimes violentos onde as vítimas são esquartejadas tem crescido ao longo dos anos.  Ouso dizer que o sistema prisional entrou em colapso. Há carência de mais de 300 mil vagas. E os presídios estão superlotados, o que contribui para criar a universidade do crime. Os criminosos deixam o sistema penitenciário muito mais violentos. Sem nenhum respeito à vida. A banalização da violência não respeita ideologia política.

Fonte:

https://institutoavantebrasil.jusbrasil.com.br/artigos/128099931/violencia-epidemica-nos-governos-fhc-lula-e-dilma

Todos somos reféns dessa guerra.

O Estado Brasileiro tem sido incompetente em proteger a população. O Estado tem o monopólio da violência somente na Constituição. O poder paralelo do crime organizado já é capaz de eleger parlamentares.

Não duvido que os governos estaduais façam acordos secretos com os líderes do crime organizado. No filme Salve Geral aprendi bem a força do lado sombrio.

Penso que solução no curto prazo não existe. Não sou especializado no assunto, mas entendo que não existe solução simples para um problema complexo.

A questão da violência não vai ser resolvida com discursos ideológicos ou demagógicos. É preciso uma ação forte do Governo brasileiro, dentro do estado de direito, para enfrentar tão grande desafio.

Atenciosamente,

Jesué Graciliano da Silva

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