Não somos um estado fascista !

Na última semana um estudante me perguntou qual a origem da expressão fascista nessa eleição. Ele ficou incomodado com o uso dessa expressão para designar os catarinenses depois da apuração. Pois bem, estou com saudades da campanha de 2014, quando os petistas chamavam os adversários de coxinhas. E estes devolviam chamando os adversários de mortadelas. Na eleição passada meu objetivo era votar no Eduardo Campos para acabar a polarização entre PSDB e PT. Cada partido deu sua contribuição para a consolidação da democracia e não via reconhecimento disso. Não sabia dos problemas da refinaria Abreu Lima. Eduardo me parecia ser o caminho do meio. Mas daí ocorreu a queda do jatinho… O imponderável como sempre muda tudo: Tudo o que é sólido se desmancha no ar.  Gosto muito da cultura oriental, que nos ensina a buscar o equilíbrio e evitar os extremos. Gosto muito da filosofia budista.

“Embora seja um termo que retrate moderação e autocontrole em relação à maneira de viver das pessoas, o Caminho do Meio não deve ser interpretado como uma atitude passiva em relação aos desafios da vida, muito menos conformista. Praticar esse conceito significa obter uma correta visão da vida, executar pensamentos e atitudes com base na felicidade individual e das pessoas ao redor. Esse conceito é exemplificado pela própria vida de Siddhartha. Nascido como um príncipe, Sakyamuni desfrutou uma vida de conforto e prazeres. Porém, não satisfeito com isso, deixou o palácio em que vivia em busca da verdade sobre a natureza do seres vivos. Ele iniciou a prática ascética, restringindo sua alimentação e sono, ao ponto de quase sofrer um colapso. Notando a falta de importância de seguir esse caminho, começou a praticar meditação, com determinação para compreender a verdadeira existência humana. Foi assim que Sakyamuni despertou para a verdadeira natureza da vida, ou seja, para a eternidade e para a fonte de vitalidade e sabedoria ilimitadas…Uma lenda budista diz que ele concluiu que é necessário exercitar o Caminho do Meio após desmaiar de fome ao realizar um rigoroso jejum e ter voltado a consciência após ser alimentado com uma tigela de mingau por uma camponesa caridosa que passava por ali no momento. Após meditar sobre este fato, Siddhartha percebeu que o controle exorbitante e excessivo é tão ruim e ineficaz em termos espirituais quanto a excessiva licenciosidade, e optou por seguir um caminho intermediário entre ambos.”  Fonte: https://www.eusemfronteiras.com.br/exercitando-o-caminho-do-meio/

Penso que uma campanha de 2013 deu início à derrocada do PT e acendeu em seus opositores o alerta. O programa em que uma bandeira vermelha aparecia na frente da bandeira do Brasil. Esse vídeo foi utilizado para unir forças dos congressistas mais conservadores.

Nessa eleição a situação piorou muito. Houve radicalização ideológica e ressurgimento da direita. Os conceitos como social-democracia, esquerda e direita têm sentidos diferentes na América Latina e na Europa. Para entender bem essa diferença é interessante assistir a entrevista de Demétrio Magnoli no Roda Viva.

Logo após a apuração dos resultados do primeiro turno soubemos que Santa Catarina foi o estado em que proporcionalmente o candidato Bolsonaro teve mais votos. Algo em torno de 65%. E nas redes sociais começou a baixaria. Vi muita gente chamando os catarinenses de fascistas. Alguns ofenderam os nordestinos por terem votado no Haddad e outros os elogiaram pelo mesmo motivo. Sou filho de baianos retirantes da seca. Sabemos que parte da riqueza da região Sudeste foi construída com o esforço e o suor do povo sofrido da região Nordeste, provedora de grande parte da mão de obra barata para a indústria e construção civil. Cada um vota de acordo com sua condição e expectativas. Alguns são mais keynesianos e outros mais liberais, mesmo que não compreendam direito esses conceitos. As cidades com menor IDH votaram em peso em Haddad. Somos brasileiros vivendo em um país continental, com grandes diferenças regionais e não devemos alimentar o sentimento de “nós contra eles”. Devemos compreender as carências e expectativas de cada região. E trabalhar juntos para reduzir as desigualdades regionais. Os Institutos Federais têm entre suas finalidades contribuir para tanto.

Como educadores temos que dar o exemplo. Precisamos ter paciência e evitar o confronto. Precisamos respeitar os nossos colegas que pensam diferente. Não adianta ficar tentando convencer o outro de que se está certo com grosseria e desqualificação. O diálogo só existe quando há disposição para o debate. Insinuar que o outro é estúpido porque não vota no seu candidato não vai ajudar a melhorar o clima tenso que vivemos. Quem vota em Bolsonaro não pode ser carimbado como fascista e quem vota em Haddad também não pode ser carimbado como corrupto. Essa simplificação tosca foi criada pelos especialistas em marketing eleitoral que assessoram os dois candidatos. Não podemos ser fantoches nas mãos de publicitários. Não há nada natural em uma eleição. Os mitos são criados e destruídos. Cada um deve decidir seu voto com total liberdade. Sem pressão. A política não é uma ciência exata – como bem já dizia Otto Von Bismarck.

Uma reportagem publicada na Folha de São Paulo mostra duas correlações que ajudam a explicar os resultados do primeiro turno. Os municípios mais carentes dependem mais dos programas federais e por isso votam no PT. No Brasil há mais de 4 mil municípios pequenos com menos de 30 mil habitantes. A maioria é deficitário. O voto também depende da configuração econômica e por isso os programas de distribuição de renda são muito importantes nas cidades com menor IDH. Em oposição a isso, Santa Catarina é um dos estados, proporcionalmente, com maior numero de pequenas empresas do país. É um estado empreendedor. E também ostenta os melhores IDHs e níveis educacionais, dependendo menos dos programas do governo federal.

Penso ser inconcebível a quantidade de postagens desejando a morte do candidato depois da facada. Trata-se de uma pobreza de espírito sem tamanho. Antes de candidato ele também é um pai e um ser humano. Quem deseja a morte do candidato adversário no fundo não entende nada de democracia.

Ele não é tão preparado para ser presidente como eu gostaria.  E por isso não tem meu voto. Como educador, votar nele seria como um dinossauro votar no meteoro. Me parece que ele não entende a importância de se ampliar a oferta de educação pública e de qualidade como é oferecida pelos Institutos Federais. Os discursos privatistas de seu filho – eleito senador – me preocupam sobremaneira. Só consegui me formar engenheiro porque estudei em uma universidade federal. Nas universidades públicas tem-se a maior parte da pesquisa brasileira. E os melhores professores.

Entre meus amigos e parentes há muitos bolsonaristas. Entendo suas razões e também compreendo as motivações de seus adversários. Todos parecem estar cheios de boas intenções em suas escolhas. Muitos estão votando por medo.

Mario Sérgio Cortella bem ensina a diferença de um adversário e de um inimigo. Precisamos de menos confronto e mais diálogo…. Devemos ter respeito pelo adversário, mesmo não gostando dele.

A virtude está no meio. Mantendo-se essa cissão não haverá paz no horizonte. É preciso um ambiente político e econômico que transmita confiança e previsibilidade aos investidores. Essa é a condição necessária, mas não suficiente para a retomada da geração de empregos. Nessa eleição os dois candidatos não estão falando sobre o mais importante: como reduzir o déficit fiscal sem causar mais sofrimento aos brasileiros. Uma vez encerrada a apuração, a dura realidade baterá à porta. São 13 milhões de desempregados, 63 milhões com nome no SPC e um déficit de mais de 148 bilhões de reais. E os caminhoneiros e transportadoras vão exigir continuidade das isenções fiscais. Como aumentar a arrecadação sem aumentar impostos e sem retirar as centenas de desonerações fiscais criadas nos últimos anos?

Independente de tudo é preciso respeitar a vontade da maioria da população. A mesma população que garantiu quatro vitórias seguidas ao PT. Alguns acham que a população só sabe votar quando vota no PT. Senão são fascistas. Ao que me parece, essa expressão começou a ser utilizada mais fortemente depois das manifestações de 2013. Como não lembrar a fala de Marilena Chauí acusando a classe média de ser fascista?

Será mesmo que Bolsonaro pode ser comparado à Mussolini ou à Hitler? Penso que não. Ele é impulsivo e parece não ter equilíbrio emocional para mediar conflitos. Apesar de tudo isso, ele está disputando as eleições dentro das regras constitucionais. E disputou outras sete eleições anteriormente. Sua atuação enquanto parlamentar foi discreta e cheia de declarações controversas. Mas isso não o transforma em um fascista. Muito menos torna seus eleitores fascistas.

Alguns jornais estrangeiros também contribuem para o problema da desinformação. Há conexões pouco conhecidas entre os partidos de direita e esquerda na América Latina e na Europa. E os jornalistas e editores também têm suas preferências ideológicas. Em uma reportagem recente a jornalista Eliane Brum do El País afirmou:

“Há muitos desafios neste segundo turno de Jair Bolsonaro com Fernando Haddad (PT). Se Lula fosse um estadista, ele teria apoiado um nome fora do PT. Alguém que pudesse aglutinar a esquerda e o centro, como Ciro Gomes (PDT). E Haddad poderia ter sido o vice. Mas Lula, infelizmente para o país, não é um estadista. Lula é um grande líder, mas não um estadista. Moveu-se nesta eleição por vingança, não pelo bem do Brasil. Quis mostrar que, mesmo de dentro da cadeia, poderia dominar a campanha.”

Acompanhei nos jornais as articulações iniciais para essa campanha. Apostava que Haddad seria candidato a vice na chapa de Ciro Gomes. Com isso Haddad estaria pronto para disputar como favorito as eleições de 2022.

As avaliações que faço sobre a política brasileira são fruto de muita leitura e reflexão. Procuro ser equilibrado em minhas publicações. Não tenho o “rabo preso” como se diz na minha cidade natal (Marília-SP). Não devo nada a nenhum partido e não ganhei nada de graça na vida. Sou filho de bóias-frias retirantes da seca do Nordeste. Sei o que é a pobreza porque vivi uma infância pobre, não porque li sobre pobreza nos livros. Trabalhava o dia todo e estudava à noite. Ingressei em uma grande universidade pública federal em uma época em que não havia cotas para escolas públicas. Trabalhei durante toda a graduação para conseguir me sustentar. Cheguei muitas vezes ao limite da exaustão. Como docente do IFSC, em 25 anos já contribui para a formação de milhares de profissionais. Acredito que a educação é capaz de transformar vidas, da mesma forma que a minha foi transformada. Ao longo dos anos procurei-me preparar intelectualmente para o exercício da docência. Realizei diversos cursos na área de gestão pública, especialização, mestrado e doutorado. E por tudo isso sou muito responsável ao apresentar minhas ponderações.

Analisei os resultados do primeiro turno e calculei os percentuais de eleitores por região. Se não acontecer algo muito grave como um massacre no debate da Globo, me parece que a eleição está praticamente definida. Muitos eleitores de Haddad já perceberam isso. Por isso as postagens nas redes sociais estão cada vez mais agressivas.

No whattapp recebi um vídeo em que Jesus era açoitado enquanto Bolsonaro, em entrevista de 1999 dizia que era favorável à tortura. Em uma propaganda Bolsonaro foi comparado com Hitler. O vídeo mostrava uma montagem de Bolsonaro e Hitler. Mensagens de mau gosto. E do outro lado também. Os bolsominions abusam das fake news. E isso é também uma ameaça à democracia. E talvez isso só piore nas próximas eleições. A falta de punição dos abusos é a senha para se praticar toda sorte de ofensas e distribuir mentiras.

Li em uma postagem no Facebook que votar em Haddad é ser humano. Quer dizer que meu vizinho honesto, católico e gentil que vota em Bolsonaro porque está cansado de ver a violência crescer é desumano?

Durante os três governos do PT a violência continuou crescendo, conforme mostrei em uma publicação anterior sobre o mapa da violência. Mesmo com diversos programas de combate à miséria o número de assassinatos subiu de 35 mil em 2002 para mais de 63 mil em 2017. Penso que, além da indignação com a corrupção,  esse é um dos motivos que levaram quase 50 milhões de brasileiros votarem em Bolsonaro e nos candidatos apoiados por ele no primeiro turno. A violência cresceu muito mais na região Nordeste, principalmente nas capitais.

O até então inexpressivo PSL elegeu 52 deputados e 4 senadores. Mesmo que Bolsonaro não vença as eleições, a frente parlamentar ligada a ele fará muito barulho no Congresso. As pautas conservadoras estarão cada vez mais presentes no noticiário político. O resultado do segundo turno não mudará isso. E o PT com a maior bancada terá também poder de enfrentamento. São os freios e contrapesos da democracia.

Nas últimas semanas o que tenho visto é o acirramento do patrulhamento ideológico. Não basta não votar em Bolsonaro. Se você não mudar a foto do seu perfil no Facebook alguns amigos já insinuam que a omissão é sinal de apoio às ideias do capitão.

Penso que a  responsabilidade pela situação em que nos encontramos é da maior liderança política brasileira das últimas duas décadas – Luís Inácio Lula da Silva. Ele conseguiu construir uma narrativa de perseguição que caiu bem ao gosto de muitos jornalistas, artistas e intelectuais mundo afora. O PT continua afirmando que o processo de impeachment foi um golpe. Seus adversários utilizaram os mecanismos previstos na Constituição para destituição da ex-presidente Dilma. E fizeram isso em decorrência de grandes manifestações populares e da grave crise econômica. Foi um golpe parlamentar com apoio de grande parte dos brasileiros? Certo ou errado, todo processo seguiu os trâmites previstos na Constituição e teve o aval do STF. Quem faz aliança com o diabo não pode reclamar. Em 2016 fiz uma postagem explicando o processo. A não eleição da ex-presidente ao Senado talvez seja um sinal de que esse assunto deva ser superado. Entrará para os livros de história. Penso que para cada ação na vida há uma consequência. O ex-presidente Lula sabia dos riscos que corria quando fez acordos nada republicanos com empreiteiras e partidos aliados. A negação de Lula da responsabilidade do PT na crise atual alimentou o surgimento de Bolsonaro. A exemplo de Fernando Henrique Cardoso, também não fiquei contente com sua prisão, mas entendo que é preciso que se cumpram as determinações legais.

Em minha humilde opinião, a tese de que Lula é um preso político não se sustenta, mesmo com toda a repercussão internacional. Reconheço a importância de Lula para o processo de redemocratização e sei que em seus governos houve crescimento econômico com aumento real do salário mínimo. Sei que Lula foi o presidente que mais construiu universidades e escolas técnicas. O povo brasileiro demostrou gratidão e por isso elegeu e reelegeu Dilma. Entendo que, por toda sua biografia, ele deve ser tratado com respeito e dignidade. Mas ele não está acima das leis e não é um injustiçado como seus advogados insistem. Isso seria se não estivesse tendo direito à defesa.

Haddad era meu candidato em 2010, quando Lula escolheu a Dilma para sucedê-lo. Eu o conheci como Ministro da Educação, no lançamento do Plano de Expansão I. Reuni-me com ele antes de ser nomeado reitor interino do IFSC em 2011. Tenho certeza de que é um dos brasileiros mais bem preparados para ocupar a presidência.

Nessa eleição Haddad parece estar fazendo o papel de “Cavalo de Tróia”. Sua campanha já conseguiu eleger a maior bancada de deputados federais. Mesmo com a prisão de suas três maiores lideranças: Dirceu, Palloci e Lula. Esse pode ter sido o maior objetivo do partido nessa eleição.

Entendo que o Partido dos Trabalhadores precisa ter a humildade de fazer uma profunda autocrítica. Sei que o PT não inventou a corrupção. Mas usou deste mecanismo para impedir a alternância de poder e isso pode ser considerado um atentado à democracia. Como o partido se recusa a admitir seus erros posso inferir que não se arrependeu deles. É que voltaria a repeti-los.

Se não houvesse o foro privilegiado, é provável que metade dos atuais senadores e deputados estivessem presos. E diversos partidos teriam perdido seu registro no TSE.

Não concordo com a afirmação de que os dirigentes das estatais ficaram muito soltos e por isso houve desvios, conforme Haddad disse essa semana. Não. Eles parecem ter sido nomeados para fazer exatamente o que fizeram. Facilitar a fraude de licitações bilionárias em troca de doações eleitorais oficiais e extra-oficiais de empreiteiras para as campanhas do PT, PMDB, PP etc.

No seriado “O Mecanismo” é possível entender bem esse esquema. O problema é que quando se frauda uma licitação, o prejuízo é de toda sociedade. É muito dinheiro público desviado foi parar em contas pessoais no exterior.

Palocci afirmou que o valor gasto na campanha de reeleição da ex-presidente Dilma foi de três a quatro vezes superior ao declarado ao TSE. Dinheiro obtido de forma ilícita. Não entendo que os fins justificam os meios.

Haddad tem afirmado que votar nele é defender a democracia e propôs a criação de uma frente ampla contra Bolsonaro. O outro candidato seria a barbárie. Sobre esse assunto Josias de Souza afirmou em seu blog:

“Ciro Gomes foi para estrangeiro […].Num instante em que o petismo tenta atrair a família Gomes para o polo democrático anti-Bolsonaro, Cid cobrou na noite desta segunda-feira (15) um mea-culpa do PT. Hostilizado por militantes petistas, abespinhou-se: “…Não admitir os erros que cometeram é pra perder a eleição. E é bem feito… Vão perder feio! Porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos de um país. E o Brasil não aceita ter dono…Marina Silva recolheu-se. Fernando Henrique Cardoso diz que há uma porta entre ele e Haddad. Mas esclareceu que ela não se abrirá sem que o PT ajoelhe no milho para expiar os seus pecados. Haddad sonha com o apoio de personalidades como Joaquim Barbosa. O cenário é francamente favorável a Bolsonaro. A democracia brasileira falhou tanto nos últimos anos que a expressão polo democrático perdeu força. Na cabeça de muitos eleitores, polo é um lugar frio —ideal para que Bolsonaro implemente a sua tática de congelar a campanha, ausentando-se de debates. Forças democráticas viraram um outro nome para corrupção, desemprego, violência e serviços públicos precários. Contra esse pano de fundo, Bolsonaro pode chegar ao Planalto jogando parado no segundo turno.”

Bolsonaro soube identificar e capitalizar o crescente sentimento anti-PT. Não dei importância a ele no início. Achava que não teria chances sem tempo de televisão. Também imaginei que ele era um candidato fácil de ser batido no segundo turno. Mas estava errado.

Voltando ao objetivo da postagem, entendo que é preciso delimitar bem no espaço e no tempo o que os historiadores chamam de fascismo. Não é adequado utilizar essa expressão como xingamento por discordância política. Aliás, chamar alguém de fascista só porque discorda de sua opinião é crime previsto no Artigo 5. da Constituição Federal.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, os integrantes da campanha de Haddad perceberam que não é chamando o eleitor de Bolsonaro de fascista que vão minar o apoio a sua candidatura. Tanto é que a campanha de segundo turno de Haddad para a televisão foi modificada para explorar as contradições de Bolsonaro.  Mas nas redes sociais e whattapp os ataques continuam de ambos os lados. Há excessos nas duas campanhas e isso é ruim para o país. No site do PT vemos: “Haddad sobre Bolsonaro: Ele defendeu publicamente o extermínio de 30 mil pessoas” . No site da campanha de Bolsonaro tem uma foto de Lula atrás das grades. É uma montagem.

Para explicar porque não somos um estado fascista vou usar um trecho de um artigo escrito por Gustavo Lopes Machado.

“Nos últimos anos, mas, particularmente, desde o impedimento de Dilma Rousseff e as manifestações contra seu governo, se alardeou no Brasil o discurso da ameaça fascista. Na verdade, este tema tem outro precedente de mais larga data: a completa banalização do conceito de fascismo nos movimentos de esquerda. Fascismo virou xingamento, um mero adjetivo usado para desqualificar ações repressivas e posições conservadoras de todos os tipos. Mas no cenário atual, essa banalização acima descrita ficou no passado. O fascismo deixou de ser pura e simplesmente um adjetivo pejorativo. O termo aparece como uma espécie de força imaterial manifesta, por vezes, mas nem sempre, em certos indivíduos. Um fantasma que assombra por todos os lados sem que ninguém saiba exatamente onde está. Sem qualquer referente em uma organização fascista bem determinada, tudo passa a ser atribuído ao fascismo (ou ao golpe): os assassinatos nas favelas, a repressão às manifestações de trabalhadores, a retirada de direitos, os preconceitos de todos os tipos. O fascismo se converte, assim, de xingamento em uma espécie de sujeito imaterial que, à maneira dos demônios, é o agente oculto por trás de todas as mazelas sociais e políticas.”

Olhando no dicionário vemos a definição de fascismo: “Movimento ou regime político e filosófico que, semelhante ao imposto por Benito Mussolini, na Itália em 1922, baseia-se no despotismo, na violência, na censura para suprimir a oposição, caracterizado por um governo antidemocrático ou ditatorial”.

Para encerrar, vejam essa propaganda de 2002.  Foi dessa forma que o PT chegou ao PT: usando a bandeira nacional, uma música triste e a metáfora de que o PSDB estava acabando com o país por meio da corrupção. Agora está provando do próprio veneno.

Os vídeos a seguir podem ajudar a formar um conceito mais acertado do que foi o fascismo e como essa expressão vem sendo utilizada na atualidade. Se meus leitores tiverem outras sugestões é só enviar.

Teses interessantes sobre símbolos do fascismo:

Clique para acessar o tese%20Fred.pdf

Clique para acessar o a05v2140.pdf

Clique para acessar o rhc_volume009_num001_art008.pdf

Entendo que a eleição está praticamente definida, salvo ocorrência de eventos de força maior. Há um sentimento anti-PT cristalizado na sociedade brasileira.

Haddad provavelmente será derrotado pela estratégia equivocada do ex-presidente Lula – que não aceitou realizar uma composição com Ciro Gomes. Gleisi disse que nem com reza brava faria essa composição. A arrogância poderá custar muito caro ao país.

O maior mérito de Haddad pode ser  visualizado nas figuras abaixo. Nunca foram construídas tantas escolas técnicas. Uma imagem fala por mil palavras.

Saiba mais em:  https://educacaoprofissional10anosgloriosos.wordpress.com/

Em 2015 já me mostrava preocupado com o surgimento de lideres populistas no vazio da destruição mútua do PT e do PSDB. Percebi o crescimento do apoio a Bolsonaro a partir de 2016. Evitei o quanto pude escrever seu nome em minhas publicações exatamente porque os algorítimos de busca utilizam o número de citações para organizar a ordem de aparição das notícias.

O cenário é esse. Penso que teremos anos difíceis pela frente.

A solução é educar bem as novas gerações para que no futuro tenhamos candidatos e partidos melhores.

Atenciosamente,

Prof. Jesue Graciliano da Silva

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