Com grandes poderes, grandes responsabilidades

Estamos na última semana antes do segundo turno. Se nenhum fato novo acontecer ao longo da semana assistiremos o fim da Era Lula. Na capa da “Isto É” desta semana tem se uma ilustração representando o candidato Fernando Haddad como um cavalo de Tróia, exatamente como descrevi na postagem anterior. Segundo a revista dentro do cavalo viria junto Boulos, Gleisi, Lindenberg, Dilma, Lula, Pimentel e José Dirceu. Na mesma revista também tem um histórico do surgimento da candidatura de Bolsonaro. Seria ele um cavalo de Tróia do exército brasileiro? Infelizmente, o candidato não parece estar interessado em participar dos debates, quando teria que explicar detalhes controversos de seu plano de governo como a idade mínima de aposentadoria e privatização de estatais. Sem apresentar com clareza suas propostas será como receber um cheque em branco do eleitor.

Fernando Haddad tem realizado malabarismo verbal para afirmar que seu adversário estaria usando caixa 2, que é crime. O PT reclamando de caixa 2 é uma novidade. Como esquecer de Delúbio dizendo que o PT havia utilizado recursos não contabilizados em 2006 e da delação de Palloci afirmando que a reeleição da ex-presidente Dilma custou três a quatro vezes o valor declarado?

Segundo o jornalista Josias de Souza (2018), “em 2014, a marquetagem de João Santana intercalou na televisão notícias falsas sobre rivais e um desfile apoteótico de plantações exuberantes, obras públicas tocadas em ritmo febril, fábricas operando a todo o vapor e povo usufruindo de prosperidade inaudita. Deu em estelionato eleitoral, recessão, desemprego e Michel Temer. O Tribunal Superior Eleitoral fechou os olhos para a lama. Agora, novamente sob a complacência do TSE, o lodo transborda da TV para o telefone celular. Vem da esquerda e da direita. Na quantidade, a milícia cibernética pró-capitão, anabolizada por um caixa dois empresarial, prevalece sobre a guerrilha companheira. Petistas gritam: “Pega ladrão!”. Bolsonaristas respondem: “Olha quem fala!” E a Polícia Federal, acionada pela Procuradoria, investiga os dois lados”.

É muito provável que aconteça o mesmo que na eleição passada com o PDDB. Já vimos esse filme. Se o PT for derrotado não vai aceitar os resultados das urnas. Se Bolsonaro perder fará o mesmo. E o resultado será outra guerra política e ideológica travada nas ruas e redes sociais.

Dentro desse cenário de desunião pode ser que encontremos um alçapão no fundo do poço. A narrativa de eleição roubada já está pronta.

Com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Essa frase ficou famosa no filme do Homem Aranha e foi dita pelo avó de Peter Parker. A história recente ensina que quando são criadas grandes expectativas também há o risco de uma frustração gigantesca. Esse é o cenário mais provável para os próximos anos. O Brasil tem problemas complexos que não serão resolvidos apenas com retórica.

As mudanças estruturais prometidas pelos candidatos dependem da aprovação de leis específicas e de emendas constitucionais. Se eleito, o então presidente Bolsonaro deverá governar respeitando as atribuições do Congresso e as regras do jogo democrático. O mesmo vale para um eventual governo do então presidente Haddad. Mas não será fácil mudar o padrão toma-lá-dá-cá vigente. Daí o risco de frustração porque as pessoas estão impacientes esperando por soluções mágicas que não existem. Muitos brasileiros estão desesperados porque não conseguem pagar suas contas e sustentar suas famílias hoje.

Entendo que se não houver esforço para se construir um ambiente político de diálogo podemos ter paralisia no Congresso, o que fará ferver as ruas. São milhões de desempregados e um déficit anual de 150 bilhões de reais. Uma bomba relógio pronta para explodir. Esse é o verdadeiro inimigo do país nesse momento.

O risco à democracia parece ser grande. Se o país entrar em convulsão social as forças armadas sentirão se autorizadas a intervir.

A seguir, o filósofo Pondé apresenta algumas reflexões interessantes sobre o momento político em que vivemos:

Gostaria de ser mais otimista, mas tudo indica teremos anos conturbados pela frente. E precisaremos estar prontos em defesa dos Institutos e Universidades Federais.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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