O dia seguinte…

Na década de 1980 o filme  The Day After chamou a atenção do mundo.  Essa é a minha metáfora em relação ao dia 29 de outubro de 2018.

“Década de 1980, auge da guerra fria. Em meio à vida cotidiana e normal são apresentados ao espectador os fatos que culminam na tão temida guerra nuclear. A família do Dr. Oakes (Jason Robards) vive em Lawrense, uma pequena cidade do Estado americano de Kansas. Ao mesmo tempo, uma crise diplomática se agrava entre os EUA e a URSS após esta ter invadido a parte ocidental de Berlim, Alemanha. Em resposta, a OTAN envia para a área de conflito todo seu arsenal. As forças contrárias iniciam então ações militares de combate que vão se intensificando e agravando a situação, até que é usada pela primeira vez arma nuclear de pequena potência sobre o QG da OTAN na Europa. A partir daí há o desencadeamento da guerra nuclear total entre os americanos e os soviéticos, com consequências desastrosas para ambos os lados.O filme teve forte impacto sobre a sociedade americana.”

Pois bem, no dia 29 de outubro muitos de meus amigos acordarão com a sensação de que o mundo acabou. E outros acordarão cheios de expectativas em relação ao futuro. E o candidato eleito será a opção de pouco mais de um terço do total de eleitores aptos a votar.

Muita gente tem entrado em conflito com seus amigos no trabalho, no Facebook e nas festas familiares. Todos acham que estão cheios de razão. Mas muitas vezes estão pregando para convertidos. As pessoas precisam se reconciliar. Precisam exercer a empatia e respeitar aqueles que pensam diferente, tentando entender o outro lado. Isso vai ser importante nos meses que se seguirão. Na democracia não é possível eliminar os adversários.

Penso que a democracia brasileira segue movimentos pendulares. Ora é mais conservadora, ora é mais progressista. Depois de 21 anos de governo / ditadura civil-militar, onde as liberdades individuais foram suprimidas, a Constituição de 1988 trouxe novas perspectivas, principalmente em relação aos direitos sociais.

Nessa eleição houve a eleição de uma grande bancada conservadora para o Senado e Câmara dos Deputados. E isso terá impacto na agenda política dos próximos quatro anos.

Com grandes poderes vem grandes responsabilidades. A história recente ensina que quando são criadas grandes expectativas também há o risco de uma frustração gigantesca. Esse é o cenário mais provável para os próximos anos. O Brasil tem problemas complexos que não serão resolvidos apenas com retórica.

As mudanças estruturais prometidas pelos candidatos dependem da aprovação de leis específicas e de emendas constitucionais. Se eleito, o então presidente Bolsonaro deverá governar respeitando as atribuições do Congresso e as regras do jogo democrático. Mas não será fácil mudar o padrão toma-lá-dá-cá vigente. Daí o risco de frustração porque as pessoas estão impacientes esperando por soluções mágicas que não existem. Muitos brasileiros estão desesperados porque não conseguem pagar suas contas e sustentar suas famílias hoje.

Entendo que se não houver esforço para se construir um ambiente político de diálogo podemos ter paralisia no Congresso, o que fará ferver as ruas. São milhões de desempregados e um déficit anual de 150 bilhões de reais. Uma bomba relógio pronta para explodir. Esse é o verdadeiro inimigo do país nesse momento.

Precisamos ficar unidos para proteger os avanços alcançados na Rede Federal da EPTC na última década. Precisamos ficar unidos para evitar que as divergências políticas acabem em banho de sangue e na perseguição das minorias.

Nessa eleição, pessoas comuns ganharam voz por meio das mídias sociais. Esse é o tema das entrevistas de Luiz Felipe Pondé, que nos ajuda a entender o momento político que vivemos.

Que a democracia esteja acima de todos.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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