Uma vida mais simples e feliz

Gustavo Cerbasi é um dos meus autores favoritos quando se trata de educação financeira. Entre seus livros mais famosos tem-se “Casais inteligentes enriquecem juntos”. Há alguns anos ele escreveu: “Cartas a um jovem investidor” e “Investimentos Inteligentes”.

Em “Investimentos inteligentes” o autor apresenta às características de diversas aplicações financeiras em uma linguagem bem simples. Também mostra a diferença entre investimentos, acumulação e consumo.

“Uma vida de menor consumo não é necessariamente uma vida mais pobre, desde que você saiba encontrar felicidade em momentos e atividades que não precisam, obrigatoriamente, de desembolso para acontecer”. Cerbasi

Ao ler essa passagem lembrei-me da estória do empresário e do pescador:

“Um empresário estava passando suas férias em uma vila de pescadores. Na praia viu um homem voltando do mar em um pequeno barco com alguns peixes frescos.

O empresário ficou encantado com a beleza dos peixes. Então ele deu os parabéns ao pescador e perguntou quanto tempo levou para pescar.

Demorou duas horas, disse o pescador.

O empresário então falou: Por que o senhor não ficou mais tempo para pegar mais peixes?

Eu peguei peixe suficiente para mim, minha família e até para meus amigos, respondeu o pescador.

Mas o que o senhor faz com o resto de seu tempo? indagou o empresário.

O pescador sorriu e respondeu com um tom calmo e relaxado: Eu durmo bem, brinco com meus filhos, tiro uma soneca à tarde, e à noite dou uma caminhada na praia com minha esposa, bebo minha cerveja, e toco violão com meus amigos. Eu tenho uma vida boa !

O homem de negócios riu e deu alguns conselhos ao pescador: Olha, eu tenho um MBA de uma universidade de muito prestígio nos Estados Unidos e vou lhe ensinar um pouco sobre negócios. O que o senhor deve fazer é passar mais tempo pescando para vender os peixes que não consegue consumir. Com o dinheiro extra que o senhor vai ganhar poderá comprar um barco maior e empregar outras pessoas para lhe ajudar. Logo o senhor terá dinheiro suficiente para comprar vários barcos. Poderá até vender ações de sua empresa na bolsa de valores !

O pescador então respondeu: Mas, quanto tempo vai levar isso tudo?

O empresário respondeu: Penso que levará alguns anos….

E depois, o que faço? perguntou o pescador.

O empresário sorriu e respondeu: Um dia o senhor poderá vender as ações de sua empresa e ganhar milhões de reais na Bolsa de Valores.

O pescador ficou assustado: Milhões de reais? E o que eu faria com todo esse dinheiro?

E o empresário respondeu: O senhor pode se mudar para o litoral e poderá dormir até mais tarde, brincar com seus filhos….

Mas não é isso que eu faço hoje? Respondeu o pescador olhando para o mar…”

Essa estória mostra como diferentes pessoas têm conceitos diversos de sucesso. Enquanto algumas querem mais é tranquilidade, outras querem alcançar seu primeiro milhão antes dos 30 anos. Penso que o “caminho do meio” sempre é mais interessante. O pescador deveria também pensar de forma previdente porque tem responsabilidades para com sua família. Mas também não precisa ser milionário para ser feliz.

Há alguns estudos recentes que analisam a correlação entre renda e a sensação de felicidade. A partir de um determinado valor pouco importa se ganhamos mais ou menos.

“Uma renda pequena exacerba as dores emocionais associadas a problemas como divórcio, doença ou solidão”, diz Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002 e coautor da nova pesquisa publicada na revista científica “PNAS”. Para ser feliz, então, o importante não é ser rico, mas sim não ser pobre, revelam entrevistas feitas com mais de 450 mil americanos. A pesquisa funciona assim: entrevistadores pedem que as pessoas relatem a frequência com que se sentiram felizes ou sorridentes recentemente. Fonte: Folha de São Paulo.

E cada vez mais questões como sustentabilidade, consciência sócio-ambiental e aquecimento global tem impacto na felicidade das pessoas. Muitos estão buscando vidas mais simples e mais sustentáveis. Ter um carro já não é uma necessidade para muitos jovens. E até mesmo ter um imóvel já não é a prioridade. Soluções de co-living são cada vez mais presentes.

O sucesso para uma pessoa está relacionada com as expectativas dela, como bem diz o filósofo Mario Cortella.

Para saber mais:

A pesquisa “Unpacking the hedonic paradox: a dynamic analysis of the relationships between financial capital, social capital and life satisfaction”  foi publicada recentemente no British Journal of Social Psycology.

https://oglobo.globo.com/economia/pesquisadores-britanicos-afirmam-que-dinheiro-nao-traz-mesmo-felicidade-8894017#ixzz2ZpUtp28x

http://edufinanceira.org.br/qual-a-relacao-entre-dinheiro-e-felicidade/

http://www.knowledgeatwharton.com.br/article/felicidade-interna-bruta-qual-a-relacao-entre-dinheiro-e-bem-estar/

http://ateuligente.blogspot.com/2010/09/felicidade-custa-r-11-mil-por-mes_13.html

http://eprints.lse.ac.uk/48799/1/Gleibs_Unpacking_hedonic_paradox_2013.pdf

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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