A importância da expansão dos novos câmpus

A expressão “Trinta gloriosos” foi utilizada pelo economista francês Jean Fourastié para identificar os 30 anos que se seguiram após a segunda Guerra Mundial. Dentro de um processo de reconstrução, a economia mundial cresceu sem precedentes a partir de avanços na produção agrícola, na produção de bens e serviços, do desenvolvimento da aviação comercial, da indústria eletrônica, das telecomunicações e da robótica.

Peço licença a esse grande economista para chamar o período que se estendeu de 2005 a 2014 como os “10 anos gloriosos da Rede Federal da Educação Profissional, Científica e Tecnológica brasileira“.

Por ter atuado como Coordenador de Curso, Diretor de câmpus, Diretor Sistêmico, Pró-Reitor e Reitor pro tempore de 3 Institutos Federais da região Sul participei de diversas ações relacionadas ao processo de expansão. Em uma década foram instalados mais de 450 novos câmpus. Todas as mesorregiões foram atendidas a partir de critérios técnicos e políticos que ampliaram o número de matrículas na educação profissional para milhões de jovens desprovidos de oportunidades, principalmente dos municípios mais pobres no interior do país.

Não há como não se impressionar com os mapas ilustrados abaixo, onde se têm representadas os municípios onde estavam localizados os 152 câmpus existentes em 2005 e os municípios atendidos pelos mais de 600 câmpus alcançados em 2015.

 

Entendo que a formação profissional é uma janela de oportunidades para a transformação de milhões de vidas. Aprendi a profissão de desenhista de arquitetura em um escritório de engenharia aos 13 anos. E essa profissão foi determinante para que eu pudesse avançar outros degraus na vida. Na falta de escolas profissionais, o sistema “mestre e aprendiz” era o caminho para a profissionalização de um grupo restrito de jovens de minha geração.

A decisão de escrever sobre esse assunto me ocorreu em 2011, quando estava atuando como Reitor pro tempore do IFSC. Percebi que uma boa parte dos novos servidores desconhecia as verdadeiras motivações da expansão e quais eram as finalidades dos Institutos Federais. A pergunta recorrente era: “Em que os Institutos Federais se diferenciam das Universidades?”.

Em 2012 e 2013, vivenciei ricas experiências de gestão no Instituto Federal Farroupilha e no Instituto Federal do Paraná, quando compreendi com mais clareza as características da RFEPCT a partir das comparações entre as estruturas de gestão decorrentes de uma mesma legislação aplicadas em diferentes territorialidades . Pude acompanhar de mais perto o processo de expansão  junto ao MEC e conhecer melhor suas concepções, conquistas, deficiências e diretrizes.

Em 2013, durante o ato de comemoração dos 5 anos da transformação, o CONIF publicou um documento chamado: “Institutos Federais – 5 anos de singulares Territórios de Esperanças” onde foram destacadas as principais características da rede:

“Mais que tudo, os Institutos Federais representam a superação de um modelo institucional existente, a fim de propulsionar a importante sintonia com outras esferas do poder público e da sociedade, na construção de um projeto mais amplo de educação pública, com as singularidades que lhes são próprias, passando a atuar como uma verdadeira rede de educação profissional e tecnológica pelo território nacional. Pensar os Institutos Federais, do ponto de vista político, significa definir um lugar nas disputas travadas no âmbito do Estado e da sociedade civil e esse “lugar” é o território; pensado para além de sua circunscrição geográfica, como espaço de relações vivas, situado e datado por pessoas, que constroem a cultura de seu tempo; território que influencia e é influenciado pelos atores ali presentes e pelas interações que dele emergem. Milton Santos usa a expressão “espaço vivido” para contrapor a ideia de que o lugar não é apenas o quadro de vida, e é neste espaço que as experiências são renovadas. Esse novo desenho constituído traz a marca biográfica que tem como principal função a intervenção na realidade, na perspectiva de um país soberano e inclusivo, núcleo para irradiação das ações para o desenvolvimento local e regional” (CONIF, 2013).

Por isso, o objetivo desse livro digital – em fase de desenvolvimento – é mostrar por meio de depoimentos, análise documental e de dados estatísticos quais foram os avanços e quais são os desafios da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

A referência para esse trabalho é a tese doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFSC em 23 de junho de 2017.

Jesué Graciliano da Silva Tese sobre a importância da Expansão da RFEPCT 2017

A EXPANSÃO DA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE OS ANOS 2005 E 2015 E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIOESPACIAIS NO ESTADO DE SANTA CATARINA

Desejo que sua leitura seja agradável e contribua para a reflexão sobre esse período de grandes transformações. A intenção também foi a de facilitar o acesso aos documentos oficiais, legislações,  relatórios,  teses / dissertações / TCCs sobre a educação profissional.

A exemplo do livro digital anterior, sobre a Transformação do CEFET-SC em IFSC, espera-se que o mesmo possa se constituir em uma fonte de pesquisa para os atuais e futuros pesquisadores sobre a educação profissional.

Mas nas apresentações que estamos fazendo nos câmpus ouvimos alguns questionamentos sobre nosso compromisso com a expansão. Houve insinuação de que prof. Gariba fosse contra a expansão. Como pesquisador do processo de expansão posso garantir que isso não corresponde à verdade.

A Fase 1 da expansão começou em 2005 e seguiu até 2007 com a implantação dos câmpus Chapecó, Joinville, Araranguá (inaugurado em 13 de fevereiro de 2008) e a federalização do câmpus Florianópolis-Continente.

A Fase 2 foi anunciada no dia 24 de abril de 2007 no evento do lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação. Nessa data foi publicada a chamada pública 01 prevendo a construção de 150 novas unidades (atualmente chamamos câmpus) atendendo aos arranjos produtivos locais. Nesse dia também foi lançada a proposta de transformação dos CEFETs em Institutos Federais.

Durante o ano de 2007 foram realizadas reuniões nos câmpus para saber a opinião das pessoas. Muita gente estranhou o fato de que a ideia dos Institutos Federais não tenha sido discutida no ano de 2006 na Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica. E a tese contrária chamou a atenção para o fato de que a proposta foi construída nos gabinetes do MEC sem consultar a comunidade acadêmica:

“Cabe lembrar que em novembro de 2006 foi realizado em Brasília-DF a Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, com a participação de 900 delegados de todos os estados da federação e de todos os segmentos que desenvolvem experiências de educação profissional e tecnológica no Brasil (Rede Federal, Redes Estaduais, Sistema “S” e ONGs) e, em nenhum momento nos ANAIS E DELIBERAÇÕES deste evento, promovido pelo MEC, levantou-se qualquer debate
sobre a criação dos IFETs.” (Fonte – Tese Contrária)

O fato concreto é que prof. Gariba, prof. Marcos Neves, Luiz Azevedo, Marival, Baltazar e outros servidores defenderam a permanência da identidade da instituição como CEFET-SC porque um ano antes o Conselho Diretor havia deliberado pela transformação em Universidade Tecnológica (24/5/2006). Então o caminho natural para muitas pessoas era esse. Eu participei de uma dessas discussões do ano de 2007 e não gostei inicialmente da mudança porque cinco anos antes havíamos mudado de denominação de ETFSC para CEFET-SC. As pessoas estavam se acostumando com a nova marca e uma nova mudança estava sendo realizada. Vejam o documento histórico.

https://transformacaodocefetscemifsc.files.wordpress.com/2014/08/aprovacao-no-conselho-diretor-cefetsc-universidade-tecnolc3b3gica.pdf

Vejam que tive a alegria de ser o autor da tese favorável à transformação.  Na época a gente era chamado de IFET e não de Instituto Federal ou IFSC.

Tese_favorável_à_transformação_em_IFET

Tese contrária à transformação em Instituto Federal de Santa Catarina

Vejam que de fato o processo de expansão ocorreu paralelamente ao processo de transformação em Instituto. Se a tese contrária fosse vencedora mesmo assim a expansão aconteceria. A expansão 2 foi garantida pela Chamada pública 01/2007.

Aliás, em Araranguá um colega disse que se a tese contrária tivesse sido vencedora o câmpus Araranguá nem existiria, o que mostra que andaram espalhando mentiras. O câmpus Araranguá foi inaugurado no dia 13 de fevereiro de 2008, bem antes da realização do plebiscito de transformação em Instituto Federal – que ocorreu em 6 de março de 2008.

A expansão teria acontecido de qualquer forma e foi um movimento que independia da gestão local porque esse foi um dos principais projetos do Governo Lula – Haddad.

Vejam o vídeo de esclarecimentos:

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva