Novos desafios…

Há quatro anos, junto com diversos colegas, participamos do processo eleitoral do IFSC com o objetivo de apresentar um modelo de gestão alternativo ao atual.

Os debates foram momentos importantes para a discussão e esclarecimento das propostas. Novas eleições se aproximam. É preciso aprender com o passado e não repetir os mesmos erros. Sempre com diálogo e  união.  Podemos muito mais juntos, sem vaidades, para o bem da instituição.

Depois de quase quatro anos de conversas, enfim estamos reunidos em um mesmo time.

Entendo que os câmpus devem ser protagonistas do processo ensino-pesquisa-extensão, uma vez que estão próximos das necessidades de suas comunidades. A reitoria tem o papel de mediação. Seu papel é político estratégico e não operacional como vem acontecendo. Os docentes e TAEs dos câmpus precisam de autonomia para exercer bem suas funções, sem burocracia e sem o peso do controle.

A reitoria deve restabelecer a confiança na criatividade das pessoas, deixando que os câmpus manifestem suas diferenças em sintonia com os aspectos culturais e socieconômicos locais. Quando não há prejuízo aos demais câmpus, toda inovação precisa ser bem vinda e compartilhada.

Essa postura tem o poder de contribuir para a melhoria do clima organizacional. Na gestão democrática é importante respeitar as diferentes formas de  pensar a instituição.

É preciso mais HUMILDADE para ouvir com a atenção as necessidades das pessoas que constroem a instituição no dia a dia. O papel da reitoria é o de ajudar para que os servidores docentes e TAEs façam bem feito seu trabalho.

E tudo isso porque é necessário colocar o êxito estudantil no centro das atenções. Porque isso dá um significado especial ao trabalho dos docentes e TAES.

Que venham novas eleições !

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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Rufino e Emiliana- brasileiros de coragem

Ontem meu pai faria 90 anos se estivesse vivo. Minha mãe completou em julho 86 anos. Para homenageá-los estou republicando uma matéria escrita pelo Eng. Civil Roberto Monteiro, de Marília-SP para o jornal Diário de Marília.

“O MEU DOUTOR!”
Dias destes, ao passar pela Avenida República, fui recordando de que nas proximidades da Secretaria Municipal de Obras, um pouco para frente, havia um comércio que era administrado por uma família, os Graciliano da Silva. Dona Emiliana, hoje com 84 anos, e seu Rufino (in memoriam) nasceram na Bahia. Quando seu Rufino tinha 23 anos e dona Emiliana 18 resolveram se casar e, como muitos brasileiros daquela região, decidiram por migrar para as terras do Sul. Optaram não pelos grandes centros urbanos, que concentram as principais migrações do Nordeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas sim pelas terras do Interior paulista e do Estado do Paraná. Por coincidência, dois Estados produtores de café e, como os imigrantes italianos, que no final do Século 19, assumiram a lida nos cafezais paulistas e paranaenses, os então jovens Rufino e Emiliana encontraram nas fileiras de café do Sul e Sudeste brasileiros, campo fértil para o trabalho e, naturalmente, o caminho para o florescimento da família. Trabalharam nas lavouras do Paraná, mas foi nos cafezais paulistas, mais propriamente aqui em Marília, que estabeleceram morada. Aqui nasceram seus oito filhos. Seu Rufino e dona Emiliana nunca frequentaram a escola. Rufino sabia da importância da leitura, da escrita e dos cálculos. Por isso, pediu ajuda a um primo e, com seu esforço natural, conheceu todas as letras do alfabeto, juntou as palavras e conseguia ler as embalagens, os rótulos dos produtos na mercearia e o que saía nos jornais da época. Descobriu ser rápido nos cálculos de matemática. Tinha consciência do poder do estudo. Na medida em que os filhos cresciam, cresciam também as recomendações de seu Rufino quanto aos estudos. Incentivava-os continuamente. No começo de dezembro do ano de 1969 nascia seu filho caçula, o garoto Jesué Graciliano da Silva. O menino tinha muita habilidade mental e demonstrava gosto pelas disciplinas, pelas aulas nas escolas da cidade. Foi alfabetizado na escola estadual Antônio de Baptista, onde concluiu a 4ª série do Ensino Fundamental. Passou para a escola Antônio Reginato, onde concluiu o Ensino Médio – chamado de 2º Grau na época. Sempre se destacava pela excelência nas notas, pelo comportamento exemplar e pela boa carga de leitura. Realmente gostava de ler este Jesué – talvez por influência de seu nome do meio, Graciliano, que remete ao grande escritor Graciliano Ramos, autor dos romances ‘Vidas Secas’ e ‘Angústia’. Desempenho excepcional em disciplinas complicadas, como redação, matemática e até mesmo em desenhos, onde apreciava fazer HQs. Professores incentivavam o estudo de Jesué, como Agenor Perinetti, Joacir e Tereza, que lecionava Língua Portuguesa. Ajudava em casa, este menino. Seu Rufino e dona Emiliana tinham outros 7 filhos e o jovem Jesué, muito habilidoso e caprichoso, encontrou no desenho uma fonte de renda para auxiliar o sustento da família, que nesta época contava com um pequeno estabelecimento comercial, onde também ajudava no balcão. Foi quando conheci este talento em pessoa. Jesué prestava serviços na área de desenho de plantas  aos colegas engenheiros Zezé Crulhas e Guelder Muller, que o recomendaram. Pronto, nascia aí a amizade e admiração. Convivi um bom tempo com Jesué que sempre ressaltava a importância dele continuar os estudos, cursar uma universidade, se especializar na área. Jesué prestou vestibular, passou em Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina, considerado o melhor curso de mecânica do Brasil e um dos mais concorridos. Concluiu o curso em 1993 e, logo em seguida, foi aprovado no concurso público para professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina, o CEFET-SC. Seguiu os estudos. Especializou-se em Engenharia de Segurança do Trabalho e em Elaboração de Políticas Públicas. Continuou se aperfeiçoando. Encarou o mestrado. Concluiu sua tese na área de Ciências Térmicas, ramo dentro da Engenharia Mecânica. Publicou os livros ‘Introdução à Tecnologia da Refrigeração e da Climatização’, depois ‘Do discurso à ação: uma experiência de gestão participativa na escola pública’. Sua competência e dedicação frutificaram no convite para ocupar o cargo de reitor pró-tempore, auxiliando no processo de transição de gestão escolar. Lá na infância e adolescência, seu Rufino, ao se dirigir ao caçula sempre dedicado aos estudos, bradava: ‘O MEU DOUTOR!’. Pois, num é que a sabedoria de Rufino se confirmou: Jesué Graciliano da Silva, o desenhista talentoso que prestou serviços para vários engenheiros de Marília, o menino simples e estudioso que cursou rede pública de ensino, concluiu seu doutorado, sagrando-se doutor de direito e de fato, cumprindo a profecia sábia do pai. Exemplos assim nos enchem de entusiasmo e esperança, pois comprova que todo esforço é recompensado, ainda mais quando este esforço vem acompanhado de muito estudo e aprendizado. Fica o exemplo  de que : “A EDUCAÇÃO É O ALIMENTO QUE NÃO PODE FALTAR NA MESA DO BRASILEIRO”.

No texto ficou parecendo que meu pai e minha mãe decidiram migrar para a região Sudeste por escolha. Não é bem assim. A migração se deu principalmente pela luta pela sobrevivência, como ocorre até hoje.

Sei que sou o resultado do esforço desses dois brasileiros corajosos, que enfrentaram os desafios da mudança em busca de uma vida melhor para seus filhos. A primeira mudança foi fugindo da seca do sertão da Bahia. A segunda se deu em 1976, após a geada de 1975 que destruiu as plantações de café do interior paulista. A mudança para Marília me oportunizou estudar em escolas públicas de melhor qualidade. O exemplo de meus pais me inspira a cada dia. E a minha mudança para Florianópolis também se deveu a busca de educação de alto nível. A vida é um ciclo infinito de mudanças.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

 

Segredos da Inteligência Financeira

Nos últimos anos, por conta do doutorado, interessei me muito por questões econômicas como desenvolvimento local, arranjos produtivos locais, parques tecnológicos e capital humano. Nesse processo me deparei com o tema Educação Financeira, que desde 2018 faz parte da BNCC brasileira. Depois de ter lido diversos livros sobre o assunto passei a escrever algumas postagens pensando em meus dois filhos. No último mês organizei algumas videoaulas mostrando a solução de alguns problemas de matemática financeira.

A partir do incentivo do colega prof. Boabaid organizamos a proposta de um mini-curso sobre Educação Financeira para os estudantes do câmpus São José. Para atingir esse objetivo inicialmente estou desenvolvendo o material didático que será utilizado. Caso tenham interesse é só entrar em contato.

Prof. Jesué Graciliano da Silva

Um novo modelo de gestão para o IFSC

Há quatro anos, junto com diversos colegas, participamos do processo eleitoral do IFSC com o objetivo de fortalecer o debate de ideias sobre o futuro da instituição. Penso que vencemos no quesito “fair play“. Também aprendemos muito a partir do diálogo com os estudantes e colegas.  Os debates foram momentos importantes para a discussão e esclarecimento das propostas. Novas eleições se aproximam.

É preciso aprender com o passado e não repetir os mesmos erros. Sempre com diálogo e  união.  Podemos muito mais juntos, sem vaidades, para o bem da instituição.

A postagem a seguir é uma releitura de algumas questões trazidas naquele momento. Espero que ajudem na reflexão sobre o IFSC que sonhamos.  Muitos desafios apresentados em 2015 ainda continuam presentes, latentes, aguardando uma mudança na forma de se conduzir a gestão da instituição.

A partir das conversas que realizamos durante a pesquisa de doutorado ficou evidente que precisamos construir um novo “pacto institucional”.  As discussões para constituição do IFSC ocorreram há mais de 10 anos. Mas muitas expectativas vem sendo frustadas ao longo do tempo. A principal delas está associada à ampliação da autonomia dos câmpus em relação à Reitoria. A comunidade acadêmica votou no plebiscito em um caminho diferente do que vem sendo trilhado. Votou por mais autonomia. Digo isso com convicção porque participei ativamente do processo de transformação do CEFET-SC em IFSC. Escrevi a tese favorável de transformação e participei de alguns debates. Na apresentação da proposta favorável estava claro que a transformação traria mais autonomia para os câmpus. Essa foi a informação que me foi repassada diretamente do MEC.

VANTAGENS

Na campanha para Reitoria levamos a experiência de diversos  ex-diretores de campus. No meu caso particular, levei o aprendizado como diretor, ex-pró reitor e ex-reitor pro tempore do IFSC, IF-Farroupilha e IF Paraná. Aprendemos o bastante para entender algo bem simples: que os estudantes, a razão de nossa existência, estão nos câmpus.

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Por isso, os câmpus devem ser protagonistas do processo ensino-pesquisa-extensão, uma vez que estão próximos das necessidades de suas comunidades. A reitoria tem o papel de mediação. Seu papel é político estratégico e não operacional como vem acontecendo. Os docentes e TAEs dos câmpus precisam de autonomia para exercer bem suas funções, sem burocracia e sem o peso do controle.

É preciso confiar mais na criatividade das pessoas, deixando que os câmpus manifestem suas diferenças em sintonia com os aspectos culturais e socieconômicos locais. Quando não há prejuízo aos demais câmpus, toda inovação precisa ser bem vinda e compartilhada. Essa postura tem o poder de contribuir para a melhoria do clima organizacional. Na gestão democrática é importante respeitar as diferentes formas de  pensar a instituição.

É preciso mais HUMILDADE para ouvir com a atenção as necessidades das pessoas que constroem a instituição no dia a dia. O papel da reitoria é o de ajudar para que os servidores docentes e TAEs façam bem feito seu trabalho.

É fundamental colocar o êxito estudantil no centro das atenções. Porque isso dá um significado especial ao trabalho dos docentes e TAES.

O IFSC contava só com 3 campus em 2005. De 2005 a 2014 foram instalados mais 19 câmpus. Hoje contamos com 22 câmpus. O Instituto Federal Catarinense, com sede em Blumenau, tem hoje 15 câmpus. Alguns deles atuam na mesma área de abrangência territorial do IFSC. Esse é um dos desafios.

Como articular a oferta de cursos, promover a pesquisa e a extensão de forma coordenada na mesma região?  Como consolidar os câmpus localizados nos municípios menores e garantir a manutenção dos câmpus mais antigos?  Outro desafio da expansão é garantir que em todos os câmpus, o modelo de gestão democrático-participativa – que sempre foi uma marca registrada do câmpus São José – possa se tornar efetivo na solução dos problemas locais.

Tenho atuado há 24 anos no IFSC.  Ingressei na profissão de docente na antiga Escola Técnica Federal logo depois de formado aos 23 anos. Apesar da experiência como monitor de algumas disciplinas na Engenharia Mecânica da UFSC não possuía uma preparação formal para a docência.

Procurei ler muito sobre o assunto e me capacitar ao longo do tempo. Sempre que podia discutia didática com prof. Hyppolito, que possuía quase 40 anos de docência. Aprendi com ele que se desejamos que nosso aluno aprenda é importante dar um significado especial para cada conteúdo. Não basta ensinar a resolver a equação. Tem que mostrar como ela foi descoberta ou desenvolvida. Tem que mostrar situações do cotidiano onde ela se aplica. Tem que primeiro encantar e conquistar a atenção e o respeito dos alunos.

Por isso é fundamental garantir que os professores estejam motivados e capacitados para a docência. E a capacitação dos docentes depende também de formação não só em nível de mestrado e doutorado. É importante se ampliar as oportunidades de estágios profissionais e de capacitação horizontal. No início da carreira fiz um estágio de um mês em uma empresa de climatização, o que me proporcionou uma maior compreensão sobre a área. Há diversas possibilidades como cursos de imersão de inglês, produção de material didático, uso de novas tecnologias entre outros.

Santa Catarina é um estado de grandes diversidades. Apesar de possuir os melhores indicadores sociais e econômicos do país, quando a gente olha mais de perto as suas mesorregiões vemos diferenças grandes. Por exemplo, o PIB per capita da mesorregião Norte é quase duas vezes o da mesorregião Serrana. Isso tem influência no Índice de Desenvolvimento Humano e no índice Gini de todas as regiões. Considerando que o IFSC é uma instituição de abrangência estadual, devemos ter clareza e conhecimento da formação socioespacial de cada região quando pensamos no ensino, na pesquisa e na extensão. Por isso defendemos que as ações de gestão devem respeitar as características de cada região. É preciso acolher a diversidade também no âmbito institucional.

Há diversos caminhos para promover mais regionalização. Como exemplo, é possível a criação dos Conselhos de Desenvolvimento Territorial composto pelos diretores dos câmpus do IFSC, do IFC, UFSC, Udesc do Sistema S, das secretarias da educação dos municípios, empregadores, egressos e representantes dos estudantes e servidores que fazem parte da mesorregião.

Aprendi no câmpus São José e com a professora Soni de Carvalho a importância da GESTÃO DEMOCRÁTICA E DA PARTICIPAÇÃO. Hoje tenho ouvido dos colegas que os espaços democráticos até existem, mas em algumas situações eles são conduzidos sem a preocupação de ouvir com cuidado a contribuição das pessoas. Então você pode ter fóruns democráticos e não ter o mais importante: a participação. Às vezes uma ideia não é bem acolhida porque não foi bem compreendida. Por isso temos que garantir que as pessoas possam expor suas ideias com tranquilidade sem risco de repressão.

A gestão participativa deve ser fomentada e construída em cada espaço. Lembro-me que em 2011, durante a gestão pro tempore, realizamos diversas reuniões para discutir as questões de interesse dos servidores da Reitoria. Foram discussões produtivas que contribuíram para o bom encaminhamento das ações. As pessoas querem participar de verdade, não de faz de conta.

Tive a oportunidade de coordenar mais de uma centena de reuniões em minha vida como gestor público. Aprendi que quando as pessoas participam mais, elas SE COMPROMETEM MAIS. Então, se a gente quer mais efetividade nas ações é preciso envolver as pessoas, chamar para que elas participem das decisões do dia a dia. Porque isso cria um ambiente de co-responsabilidade. Os recursos são limitados. Então nada melhor do que perguntar para as pessoas onde elas preferem investir o dinheiro disponível naquele ano. E pensar coletivamente alternativas para o aumento de recursos. No ano seguinte da mesma forma.

Os gestores dividem o peso da responsabilidade. E a participação e a democracia no ambiente escolar são direitos constitucionais previstos no artigo 206 da Constituição Federal. Então precisamos garantir que os Colegiados de cada câmpus sejam ativos na discussão dos problemas. Nesse contexto é fundamental empoderar e valorizar os representantes para que eles tenham tempo e condições de discutir com seus pares os problemas que serão colocados em apreciação nas reuniões. Para isso é preciso transparência para que todos possam acompanhar em tempo real o que está acontecendo.

Os Institutos devem realizar cada vez mais pesquisa e extensão. Penso que as atividades de pesquisa no IFSC devem, sempre que possível, auxiliar no desenvolvimento tecnológico, social e cultural das regiões onde os câmpus se inserem.  O IFSC conta atualmente com mais de uma centena de grupos de pesquisa cadastrados e certificados. Vários grupos possuem linhas de pesquisa similares, entretanto desenvolvem suas atividades de forma desarticulada.

Uma instituição educacional é antes de tudo um espaço de emancipação e preparação de cidadãos para a convivência social. Essa convivência respeitosa e democrática deve levar em consideração a pluralidade de ideias. Nela exercitamos o que esperamos ser o ideal de nossa sociedade. Nesse exercício democrático, os alunos se transformam e logo depois podem transformar suas comunidades com novas ideias e concepções. Por isso é preciso saber divergir com respeito e, preferencialmente, construir consensos a partir de um diálogo franco e respeitoso com aqueles que pensam diferente.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

Eleições no Instituto Federal de Santa Catarina

Nos próximos meses todos os estudantes e servidores docentes e TAEs do IFSC irão às urnas para escolher seus novos(as) Diretores(as)-Gerais e seu novo(a) Reitor(a). As comissões eleitorais que conduzirão as eleições nos câmpus estão sendo implantadas e a partir delas será constituída a Comissão Eleitoral Central, que coordenará a escolha do(a) Reitor(a). As eleições ocorrerão simultaneamente em todos os câmpus e na Reitoria / CERFEAD.  O primeiro mandato da atual reitora foi de 16 de dezembro de 2011 a 16 de dezembro de 2015. De 19 de dezembro de 2015 a 19 de abril de 2016 ela ocupou o cargo de maneira pro tempore. Sua posse no segundo mandato ocorreu no dia 20 de abril de 2016. Essa deveria ser a data final de sua permanência no cargo. Mas como ocorreu na eleição passada, entre a homologação dos resultados da eleição e a nomeação pelo Presidente da República pode-se passar um tempo demasiado. Ou seja, há o risco da atual reitora permanecer no cargo de forma pro tempore por mais alguns meses após o final de seu mandato. Com isso, seus dois mandatos originalmente de 8 anos, aproximariam-se de 9.

Em reunião realizada no câmpus São José no dia 8 de agosto, sobre o Programa Future-se, a reitora foi questionada sobre a interferência do programa nas eleições e respondeu dizendo que tinha o compromisso de realizar as eleições de forma muito transparente para evitar eventuais processos de judicialização que retardariam a posse do(a) Reitor(a) eleito(a). Ela citou inclusive o caso ocorrido no Instituto Federal do Paraná (IFPR). Tenho acompanhado os acontecimentos eleitorais no IFPR porque tenho colegas participando do processo. Por isso senti-me na obrigação de fazer um apelo à atual Reitora.

Meu apelo foi para que ela empreenda todos os esforços para que as eleições que se aproximam aconteçam com muita transparência e garantia de equilíbrio de oportunidades para todos os candidatos. Lembrei-lhe que, como seu adversário na última eleição, observei diversos incidentes similares aos ocorridos nas eleições anuladas do IFPR, que se fossem levados ao conhecimento da Justiça, poderiam levar à suspeição do processo e a uma possível anulação das eleições.

Expliquei-lhe que decidi voluntariamente não ingressar com nenhuma ação nesse sentido porque não desejava ver a instituição sob intervenção, como aconteceu no IFPR.  Nunca fui convidado formalmente a apresentar qualquer avaliação do processo eleitoral. Publiquei minhas considerações nesse blog após as eleições, quando também agradeci aos colegas de chapa e aos estudantes e servidores docentes e TAEs pelos votos de confiança.

Procurei seguir em frente e evitei comentar os encaminhamentos da Reitora em seu segundo mandato, onde tivemos mais do mesmo. Minhas considerações sobre o modelo de gestão burocrático e centralizador da atual Reitora foram apresentadas com muita clareza durante os três debates eleitorais.

Após as eleições, procurei concluir o doutorado, onde pesquisei sobre o papel dos novos câmpus no desenvolvimento regional e retomei minhas atividades docentes. Tenho experimentado os efeitos das novas tecnologias no aprendizado dos estudantes. Penso que podemos agir localmente e pensar globalmente. Tenho cuidado de minha aldeia…

Mas voltando ao IFPR, desejo sinceramente que a instituição retome a normalidade democrática perdida em 2013. De agosto de 2013 até o momento a instituição ficou a maior parte do tempo sob intervenção do MEC. Atuei como reitor pro tempore do dia 9 de agosto de 2013 ao dia 31 de janeiro de 2014 no IFPR. Fui nomeado à revelia pelo então Ministro da Educação Aloísio Mercadante logo após a Operação Sinapse, que apurou indícios de irregularidades na condução dos cursos de Educação à Distância. Na oportunidade o então reitor da instituição foi afastado cautelarmente por 90 dias.  Depois esse prazo foi prorrogado por mais 90 dias. Não conheço exatamente os motivos de minha escolha. Havia ocupado antes a função de reitor pro tempore do IFSC e do IF Farroupilha nos anos de 2011 e 2012. Penso ter atingido os objetivos esperados nesses dois importantes desafios. Quando questionado sobre minha disponibilidade para assumir o cargo de reitor interino do IFPR, recomendei diversos colegas ex-reitores mais experientes.  Depois de muita insistência combinamos que eu iria fazer uma avaliação da situação no IFPR junto com o colega Garabed, ex-reitor do IFSP. Minha intenção era convencer o colega Garabed a aceitar o cargo de reitor interino. Estava na estrada, dirigindo meu carro já próximo de Curitiba, quando recebi um telefonema pedindo desculpas pela minha nomeação sem acordo prévio. Aceitei mais uma vez o desafio sem saber exatamente o que me esperava. Dizem que tudo aquilo que não nos mata, nos fortalece. Posso dizer que essas três experiências nos três estados do sul do Brasil foram definitivas para minha compreensão de como se organiza a Rede Federal EPCT. Consegui visualizar o IFSC por duas novas perspectivas e ter uma compreensão do todo, como se estivesse da arquibancada do estádio. Todo o trabalho realizado no IFPR foi documentado no Blog Diário do Reitor, a exemplo do que havia acontecido antes no IFSC e no IF-Farroupilha.

Após 180 dias o então reitor afastado voltou ao cargo e ficou nele até o início de 2015. Ele foi inocentado de qualquer responsabilidade nos desvios da Operação Sinapse, mas não conduziu as eleições. Seu substituto imediato assumiu o cargo em caráter pro tempore e se candidatou. Resultado: as eleições que ocorreram em abril de 2015 foram anuladas. E somente agora novas eleições estão sendo realizadas.

Os fatos apresentados pelo Tribunal Regional Federal da 4a. região como motivos para anulação das eleições do IFPR fizeram-me refletir sobre a moralidade das eleições de 2015 no IFSC.

Vou citar apenas alguns fatos que eventualmente poderiam ser considerados, no mínimo antiéticos: Conforme pode ser atestado em vídeo a atual reitora presidiu a reunião do Conselho Superior de 5 de julho de 2015, que aprovou as regras de turno único para a eleição, mesmo tendo interesse direto no assunto.

No despacho do juiz que anulou as eleições do IFPR pode-se ler:

A lei e o regulamento que permitem que o reitor candidato à reeleição deflagre o processo de consulta e participe da tomada de decisões de como o processo deverá decorrer são inconstitucionais, pois contrários ao pilar da democracia, evidenciado pela faceta da impessoalidade. (…). O nivelamento por baixo não transmuta a imoralidade em moralidade.

O reitor candidato, por obediência a alma do processo democrático, deve se abster de exercer funções públicas incompatíveis com o seu interesse pessoal, repassando para o sucessor natural essas atribuições em especial. Essa é a postura ética e constitucional exigível do réu na situação em se colocou e de todos os outros reitores que, sendo candidatos à reeleição, participaram ativamente da elaboração das regras do jogo”

Ouvi relatos de que ocupantes de cargos de direção se comprometeram em repassar “voluntariamente” parte da gratificação mensal para composição de um caixinha para reeleição da atual reitora; possível uso político de eventos importantes como o SEPEI, os Jogos do IFSC e das visitas aos câmpus em período próximo das eleições, o que poderia caracterizar propaganda antecipada paga com dinheiro público. Recebi fotos e relatos de que os estudantes foram hospedados em hotéis de alto padrão com piscina em Joinville durante os Jogos do IFSC de 2015, enquanto que atletas amadores dos Jogos Abertos são alojados em ginásios e escolas. Tivemos dificuldades de apresentar nossas propostas em alguns câmpus, como Florianópolis por exemplo. Ouvi relato de intimidação de servidores interessados em processo de remoção e assim por diante.

Se esses fatos não se configurarem como uso da máquina pública para se atingir objetivos eleitorais…

Meu apelo é que não aconteça o uso da máquina pública para favorecer candidato(a) A ou B ou C ou D. Os interessados ao cargo de Reitor deveriam, em minha humilde opinião, deixar os cargos públicos que ocupam com uma antecedência mínima de 90 dias antes das eleições, mesmo que não exista previsão legal. Os maus exemplos que acontecem nas eleições nacionais e estaduais não deveriam ser a referência para o processo eleitoral de nossa instituição. Afinal, entendo que as eleições para Direção e para Reitor também fazem parte da formação de nossos estudantes. Votando na escola se aprende desde cedo a prática da cidadania.

Minha preocupação é simples: Se os problemas ocorridos nas eleições passadas se repetirem há o risco de que o processo seja judicializado. E isso poderá colocar a instituição sob intervenção do MEC. A atual Reitora é responsável por impedir que isso aconteça, mas há relatos de que tudo está se repetindo como na eleição passada.

Extrato da decisão do TRF 4 sobre anulação das eleições no IFPR.

“A accountability (controlabilidade em português não muito castiço) possível no pequeno âmbito da escola deve extrapolar para a política geral pelas atitudes das pessoas com formação superior. Financiadas que foram pelos milhões de trabalhadores que não alcançaram tal distinção, delas espera-se capacidade de compreensão da complexidade da política e discernimento para melhorar as condições gerais.

A expectativa do povo que paga tributos para financiar o ensino superior é que a honestidade (impessoalidade, moralidade, eficiência) do micro-cosmo acadêmico limpe a política geral. Gotas de água limpa com grande potência de desinfecção. Ninguém deseja que as nódoas da política geral tisnem a atividade política intra-muros da academia. Da escola, espera-se albor, não breu. Se a eleição na escola repete as mazelas da política geral, qual a razão para fazê-la?”

DESPACHO FINAL ANULAÇÃO DAS ELEIÇÕES DO IFPR

Coragem !

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

A seguir mostro a publicação que fiz ao final das eleições de 2015, quando concorri ao cargo de Reitor. Para saber mais vejam esse debate eleitoral.

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Participação nas eleições do IFSC

Caros colegas TAEs, docentes e estudantes, muito obrigado pelo carinho e apoio recebido durante todo o processo eleitoral.

Organizei um resumo não oficial dos votos. A Comissão Eleitoral deve publicar relatórios detalhados em breve. Mas serve como uma prévia. Aliás, gostaria de parabenizar cada pessoa que ajudou nesse processo. Foi um trabalho de gigantes. Todos estão de parabéns: mesários, Comissões Locais, Comissão Central.

 

 

Na manhã de sexta-feira liguei para cumprimentar os dois candidatos e desejar boa sorte na sequência de suas vidas.

Agora é hora de olhar para frente e nos unirmos para o bem do IFSC. É hora de deixar para trás as divergências. A eleição passou e agora temos muito o que fazer.

Parabéns também para todos os Diretores eleitos. Desejo muito sucesso para todos vocês.

Espero que vocês estabeleçam uma relação de cooperação e de solidariedade para resolver os problemas e desafios futuros. A proposta da regionalização não tem dono e pode ser adotada sem intermediários.

Espero que não se repitam as divergências entre a Reitoria e a Direção do câmpus Florianópolis. Os estudantes são os mais prejudicados.

Quando optamos por participar do processo eleitoral, sabíamos da dificuldade que teríamos para disseminar nossas propostas: organizar as ações a partir da regionalização, ampliar a autonomia dos câmpus e criar um ambiente onde os estudantes e servidores docentes e TAEs sintam-se bem para estudar e trabalhar.

Desejamos construir um ambiente onde pensar diferente seja bem vindo. Onde a divergência e o dissenso qualificado sejam exercitados com respeito e civilidade.

Depois de 2 meses de greve, optamos por manter nossas atividades normais durante a campanha. Ninguém se afastou de suas atividades letivas.

Também optamos por fazer uma campanha com custo máximo de 5 mil reais.

A falta de tempo teve um preço. Muita gente acabou não conhecendo nossas propostas. O que nos alegra é que no câmpus Lages, onde apresentamos as propostas nos 3 turnos fomos vitoriosos. E em nenhum outro lugar conseguimos fazer isso. Não houve tempo. Em alguns câmpus falamos somente para 10 alunos e 5 servidores. Fica o aprendizado.

E nossa proposta não é muito simples de ser compreendida também. Ela fala de questões que são abstratas como regionalização, autonomia e identidade. Não prometemos ginásios, prédios e nem distribuímos brindes e promessas vazias.

No câmpus São José, onde trabalho há 22 anos, soube que houve um trabalho muito intenso de desconstrução de minha imagem como gestor público. Esqueceram que quando fui Diretor do câmpus recebi aprovação de 83% da comunidade (pesquisa realizada pela DGC em 2006). Também houve forte defesa do voto útil. Isso aconteceu também em outros câmpus, conforme me relataram.

Também espalharam que eu seria contra a flexibilização da jornada dos TAEs. Mesmo tendo sido eu um dos autores do regulamento da flexibilização da jornada de trabalho. Gravei um vídeo denunciando a mentira. Mas mentira repetida mil vezes…

Depois espalharam que eu iria dividir os votos da oposição e isso faria a Reitora ser reeleita.  Logo, todos deveriam votar no candidato Gariba para não se ter continuidade. Interessante que isso funcionou bem nos TAEs, mas não com os docentes e estudantes. E não adiantou tentar manipular os estudantes com bolinhas e brindes. Recebemos uma expressiva votação dos estudantes, onde atuamos como docente.

Em Florianópolis também foram disseminadas as mesmas questões. Mas vejam que tivemos boa votação entre os estudantes (quase metade da votação do Gariba e da Maria Clara), mesmo não tendo conseguido fazer nenhuma apresentação para eles. Cabia aos professores levar os estudantes ao auditório. E isso não foi feito. Isso ocorreu também em outros câmpus. Também não foi permitido que passássemos em salas de aula. Uma pena. Penso que todos os candidatos deveriam ter o mesmo tempo de apresentação obrigatória nos 3 turnos. Isso foi bem realizado em Jaraguá do Sul. Fizemos apresentações lá de tarde e de noite.

A tese do voto útil em Florianópolis e em diversos outros câmpus / Reitoria também foi disseminada, conforme alguns relatos que me chegaram. Mas mesmo assim recebemos 76 votos de TAEs de Florianópolis.

Penso que dificilmente esses 76  votos dos TAEs seriam dados ao Gariba, caso nossa candidatura não tivesse sido lançada. E a diferença entre Maria Clara e Gariba teria sido muito mais ampliada. Por isso refuto qualquer tentativa de ser responsabilizado pelo continuísmo. A reitora venceu porque teve mais votos. É bem simples e cabe a ela ser a Reitora de todos os servidores e estudantes do IFSC. E enfrentar os desafios de governar sem ter recebido os votos da maioria.

Trouxemos a questão da regionalização para os debates. Utilizamos ideias do grande geógrafo Milton Santos para combater o excesso de centralidade. Trouxemos a questão da autonomia. Procuramos ser éticos na campanha. Procuramos tratar nossos adversários como queríamos ser tratados: com respeito e gentileza.  Mostramos para os estudantes que uma campanha deve ser baseada na força das ideias e não no poder econômico. Não distribuímos brindes. Não nos escondemos das perguntas difíceis. E no final, no último debate vimos que nossos argumentos estavam sendo defendidos pelos candidatos adversários. Uma grande vitória.

Se me perguntarem se faríamos tudo de novo ! Sim ! Com certeza.

Valeu a pena toda dedicação.  Estamos gratos e felizes com cada voto que recebemos. Eles foram conquistados pela força de nossas ideias.

E todos os componentes da chapa são vitoriosos. Ninguém entrou por causa de interesses pessoais ou menores. Entraram para defender a causa da AUTONOMIA e da REGIONALIZAÇÃO ! Sem perder de vista a questão da identidade. Ninguém passou dos limites da ética e da boa educação para defender nossas propostas.

Acredito que devemos ter boas histórias para contar e que devemos assumir o protagonismo de nossas vidas. Se consideramos que as propostas das outras pessoas não são boas então devemos tentar vencê-las no debate e nas urnas. Não adianta ficar só reclamando e assistindo aos fatos.

Não somos favoráveis à reeleição, ao uso da máquina, ao abuso de poder econômico, à intimidação, à desqualificação dos adversários, e à ataques à honra e à vida privada.

Há diferentes maneiras de se vencer e de se perder. Perdemos vencendo. Vencemos onde era mais importante: no debate de idéias.

https://www.youtube.com/watch?v=U85-LEVoe6M 3o. debate

https://www.youtube.com/watch?v=60p6jb_1ssw 2o. debate

https://www.youtube.com/watch?v=qEl0GjlK-Dg 1o. debate

E cantar Belchior no final do debate não tem preço: você não sente, nem vê mas não posso deixar de contar meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer… que o que ontem era novo e jovem, hoje é antigo, precisamos todos rejuvenescer. O novo sempre vem… E vem mesmo. Não se preocupem. 

Nos debates, procuramos valorizar o legado da prof Soni, do prof Juarez Pontes, da prof Consuelo Sielski mostrando para a candidata à reeleição que o IFSC não foi criado a partir de 2012 como algumas pessoas de sua equipe querem fazer parecer.

evolução

Somos contra a reeleição e contra o uso de “esperteza” eleitoreira, repetindo em menor escala o que acontece nas eleições gerais. Brindes, ameaças veladas, mentirinhas, gastos abusivos, uso da máquina…teve de tudo na eleição.  Mas agora é passado. Cada um deve saber conviver com os resultados de seus atos. 

Procuramos lembrar nas apresentações que não somos políticos. Somos educadores! Aliás, sou o único candidato que usou o nome social PROFESSOR nas cédulas. Afinal, mesmo ocupando diversas funções importantes, praticamente nunca deixei de ministrar aulas nesses 22 anos de IFSC!

Um filho de trabalhadores rurais, estudante de escola pública, que trabalha desde os 10 anos de idade poder concorrer a Reitor de uma das mais renomadas instituições federais do país é uma vitória. Poder debater de igual para igual propostas viáveis não tem preço!

Nessa eleição, foram discutidas questões importantes como o modelo de gestão, regionalização, autonomia e saímos do discurso do “nós contra eles”.

Agimos com correção moral e respeitamos a história de vida dos colegas adversários. Elevar o nível do debate foi nossa proposta e compromisso.

Mostramos com clareza que há outros caminhos e modelos de gestão. A maioria compreendeu isso. Porque a Reitora “venceu perdendo”, pois não teve a maioria dos votos. Ela pode até tentar ignorar esse fato. Mas saberá todos os dias dos próximos 4 anos que a maioria da comunidade acadêmica do IFSC não aprovou suas propostas e seu primeiro mandato nas urnas.

Sucesso ou fracasso dependem somente de nossas expectativas e de como vemos o mundo. Vamos pensar no Sol. Ele é uma estrela de quinta grandeza e isso significa que diversas outras estrelas que enxergamos no céu são muito maiores que ele. Mas enxergamos essas estrelas como pontos luminosos. Por outro lado, o diâmetro da Terra é cerca de uma centena de vezes menor que o Sol. Podemos simplificar dizendo que, se a Terra fosse do tamanho de uma laranja, o Sol teria mais de dez metros de diâmetro.

Já nós, os seres humanos, se comparados ao tamanho da Terra somos minúsculos, e muito mais insignificantes ainda se comparados com o universo. Portanto, todos os problemas humanos reduzem-se a nada na escala universal. Contudo, mesmo tão pequenos, temos consciência de nossa existência e de que somos únicos. Somos tão pequenos, mas, ao mesmo tempo, tão especiais. E esse é um paradoxo interessante, que foi resumido nos famosos versos do poema “Tabacaria”, do português Fernando Pessoa: “Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada. / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” Sonhar é da essência humana.

Digo isso porque há muitos anos eu só me preocupava com os resultados finais. Esquecia de contemplar as flores e a paisagem quando estava subindo a montanha.  Atualmente, por já ter chegado no topo por 3 vezes antes, prefiro focar na paisagem que vejo durante a caminhada. O importante não é apenas chegar, mas sim como chegar. Tem que ser com honra, ética e com dignidade. Até porque acredito na liderança ética e servidora.

Discordo dessa forma de dividir as pessoas entre o bem e o mal. Todos nós podemos ter ideias diferentes e isso deveria ser bem vindo. Todos podemos contribuir para o IFSC ser uma instituição melhor.

Aprendi muito cedo que existem lideranças formais e informais. Ninguém tem o monopólio da ética, da democracia, da regionalização, da autonomia e da defesa da capacitação dos servidores, ou da melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Por isso é preciso sempre lembrar: a autoridade moral não depende de cargos. Ela não acaba quando deixamos uma função ou não surge do nada quando ingressamos nela. E nosso grupo pode andar de cabeça erguida por ter sido propositivo.

Churchill dizia: devemos  ser humildes na vitória e desafiadores na derrota…

Mas o que é vitória e o que é derrota mesmo? Somos todos vitoriosos quando atingimos nossos objetivos.

Obrigado super time: Volnei RodriguesJose Antonio BourscheidMichelle Conceição, Everaldo Everaldo Silva de OliveiraEmerson J. Soares e Vanderlei Mello!  Obrigado Samuel Silveira e Tiago Semprebom pela força no marketing ! 

Vocês são todos vitoriosos !

Agradeço mais uma vez a confiança.

Professor Jesué Graciliano da Silva

Estudando antes das aulas

Ao longo de minha carreira docente já fiz muitas experiências sobre técnicas de aprendizagem. Mais recentemente as novas tecnologias da informação e da comunicação se tornaram grandes aliadas dos professores e dos estudantes. Por isso tenho utilizado  videoaulas com exemplos resolvidos para complementar a formação dos alunos fora da sala de aula.

Elas podem ser acessadas no canal LEDIS EAD IFSC no youtube ou por meio de um QR-Code que entrego para os alunos nas primeiras aulas.

Atualmente milhares de estudantes estudam a distância em cursos formais ou informais por meio de videoaulas. Começamos a trabalhar com EAD em 1998, quando publicamos na internet algumas aulas das disciplinas de refrigeração e climatização. Na época utilizávamos o editor Adobe Pagemill.

O processo de criação de links e disponibilização dos conteúdos técnicos na internet se mostrou interessante e por isso começamos a pensar em criar um curso de qualificação básica (formação continuada) para profissionais que atuam no país sem formação. Na época somente existiam no Brasil pouco menos de 10 cursos técnicos de refrigeração e condicionamento de ar (RAC). Havia muitos cursos rápidos, mas não técnicos de 1200 horas.

Com o objetivo de contribuir com a formação desses profissionais que não tiveram oportunidade de realizar um curso presencial criamos e aprovamos no Colegiado do Campus no ano de 1999 o Curso de Qualificação Básica em RAC.  A ideia original era ofertar o curso pela internet.

Mas aprendemos rapidamente que naquele momento a maioria dos profissionais da área não possuía acesso. Passamos a organizar os conteúdos do curso de RAC em módulos ilustrados. Esse conteúdo tornou-se a base para o livro Introdução à Tecnologia da Refrigeração e da Climatização, que encontra-se hoje na segunda edição.  O curso iniciou apenas com apostilas ilustradas. Bem longe do sonho inicial.

No ano de 2000 elaboramos um projeto para a Fundação VITAE.  Nele criamos uma estrutura para produção de material didático EAD e adquirimos um laboratório móvel totalmente equipado para atingir outras regiões com nossos cursos. A inspiração foi do projeto Ícone, que havia sido muito bem sucedido no campus Florianópolis.  No laboratório LEDIS (Laboratório de Ensino a Distância) começamos a produzir conteúdos digitais, videoaulas e novas apostilas. O material didático produzido passou a fazer parte do acervo do curso, sendo as apostilas e vídeos utilizados também por diversos professores nas aulas presenciais.

Por isso nosso canal no Yotube se chama LEDIS EAD IFSC.

Essa foi a grande lição que aprendemos com a EAD. O material didático e a forma de se dar aula na EAD ajuda muito no ensino presencial.  Graças a experiência acumulada no primeiro projeto executado em 2002 aprovamos em 2005 outro Projeto Vitae, que teve por objetivo introduzir as novas TICs nas salas de aula. Todas as salas de aula do campus São José possuíam acesso à internet já no ano de 2005.

Em 2006 e 2007 participamos do Projeto InterRed onde começamos a desenvolver atividades que deram origem aos Objetos de Aprendizagem em flash e aos Laboratórios Virtuais.

Temos em nossa página mais de uma centena de Objetos de Aprendizagem disponíveis para nossos estudantes no Portal wiki. Também utilizamos o ambiente virtual Moodle para disponibilizar textos, áudios, vídeos e animações que fazem parte de nosso modesto curso de EAD, que temos orgulho de dizer que não começou com o intuito de qualquer retorno financeiro.

Em diversos campi há  também exitosas iniciativas de produção e disponibilização de videoaulas no Portal Youtube. Nossos estudantes também têm produzido interessantes conteúdos.

Todos podem produzir conteúdo digital.  O mais importante hoje não é o equipamento e sim a ideia, o conteúdo. Não adianta utilizar um equipamento caro de ultima geração se o vídeo não tiver um conteúdo interessante e se não “carregar” no Youtube com facilidade. Ninguém tem paciência de ficar esperando muito para fazer download.

Quem não quer “reinventar a roda” pode utilizar tudo o que já existe de bom produzido na Internet. Há milhares de aulas de alto nível prontas para serem utilizadas. Basta saber inserir esse material nos planos de ensino.

Esse é um grande desafio: mudar a forma como ensinamos. Estamos acostumados com as aulas expositivas. Penso que a sala de aula deve ser um espaço para discussão e maior interação.

É o que defendem professores consagrados como Salman Khan.  Usar com inteligência as novas tecnologias é o que precisamos aprender. Fácil falar e difícil praticar.

Por isso nossa sugestão é que novas metodologias sejam experimentadas em pequenas doses.

Passamos a adotar um conceito simples de EAD com relativo sucesso nas aulas presenciais. Uma aula de 45 minutos úteis pode ser fracionada em 3 partes: 15 minutos para apresentar um resumo  + 15 minutos para que os alunos resolvam um problema em grupo + 15 minutos para correção e discussão.

Os alunos dos cursos noturnos não têm tempo para estudar em casa e por isso essa é uma boa forma de fazê-los participar ativamente da construção do conhecimento. A ideia é parecida com que propõe Salman Khan: redução do tempo de exposição e aumento do tempo de interação. Seus milhares de vídeos seguem essa tendência: São curtos e diretos.

Nessa entrevista é possível aprender um pouco mais sobre as idéias de Khan, o fundador da Khan Academy.

Reportagem sobre educação a distância – Entrevista com Salman Khan

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

50 anos da conquista da Lua

Daqui a algumas semanas vamos comemorar os 50 anos da chegada do primeiro homem a Lua.  Um professor certa vez me disse que levar um homem à Lua e trazê-lo de volta são e salvo é o maior feito da humanidade. A chegada do homem à Lua ocorreu em 20 de julho de 1969, mas tudo começou muitos anos antes. Esse é um exemplo de que podemos transformar nossos sonhos em projetos e alcançar resultados incríveis. “Faremos isto (a viagem à Lua) não por que seja fácil, mas por que é difícil ” disse em 1961 o presidente norte-americano JFK.

Se voltarmos um pouco no tempo vamos estabelecer uma relação direta entre a Apollo 11 e os mísseis balísticos V2 desenvolvidos por Von Braun durante a Segunda Guerra Mundial. Milhares deles foram lançados sobre os países Aliados.

Após o final da Segunda Guerra Mundial diversos cientistas alemães foram sequestrados pelos norte-americanos e pelos soviéticos. Ouso afirmar que a conquista da Lua é também um dos resultados indiretos da Segunda Guerra.

Os soviéticos conseguiram colocar o primeiro satélite em órbita – O Sputinik – em 1957. Poucos anos depois conseguiram enviar o primeiro cosmonauta ao espaço – Yuri Gagari com a espaçonave Vostok 1, o que pressionou o governo norte-americano.  Yuri Gagari pronunciou a célebre frase: A Terra é azul.

O Sputnik 1, lançado pelos soviéticos em 1957, foi o primeiro satélite artificial lançado pela humanidade.*

Não há conquista sem investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Os mísseis V2 foram resultado de grande investimento do governo nazista em parceria com as universidades alemãs.

Não há mesmo almoço grátis. O mesmo cientista que contribuiu para a morte de centenas de pessoas nas cidades atingidas pelos mísseis balísticos coordenou a conquista espacial norte-americana. São as faces contraditórias da mesma moeda.

Apesar de aplaudirmos Neil ArmstrongEdwin Aldrin e Michael Collins, precisamos lembrar que o sucesso da Apolo 11 é resultado da persistência e da coragem de milhares de engenheiros e dezenas de astronautas norte-americanos. E da maior tragédia humana até então – a Segunda Guerra Mundial.

“That’s one small step for man, one giant leap for mankind”

Para saber mais:

 

 

https://www.youtube.com/channel/UCLsYrDS9jYL_dO1g8qe2ctw

Prof. Jesué Graciliano da Silva