A cadeia da refrigeração

Recebi do amigo Evandro Cantu o link de uma reportagem que mostra como a invenção da refrigeração mudou a história e a forma como fazemos comércio. Estou compartilhando a seguir:

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2017/11/25/como-a-invencao-da-geladeira-mudou-a-historia—e-a-forma-como-fazemos-comercio.htm

Essa matéria faz parte de uma série sobre as 50 maiores invenções que impactam na economia moderna.

Há algum tempo venho juntando estórias de livros e reportagens para contar um pouco sobre a história da refrigeração, sobre a cadeia do frio e suas repercussões sociais e econômicas.

No livro: “COMO CHEGAMOS ATÉ AQUI” tem uma bela descrição de como surgiu o comércio intercontinental de gelo natural e o longo processo de criação do primeiro equipamento para produzir gelo artificial.  Frederic Tudor morava em uma região dos Estados Unidos onde os rios congelavam no inverno. Em meados do século XIX, ele teve a ideia de vender gelo países tropicais e se tornou um dos homens mais ricos do mundo. Para isso teve que desenvolver um sistema logístico para cortar, armazenar e transportar o gelo ao redor do mundo.

No início do século XX foram desenvolvidos e vendidos os primeiros refrigeradores domésticos – aproveitando-se dos avanços na área de motores elétricos e da distribuição de energia para as residências. A descoberta de novos fluidos refrigerantes deu grande impulso para a área.

Porém, com a descoberta dos efeitos dos CFCs na camada de ozônio foi assinado em 1987 o Protocolo de Montreal, que completou 30 anos.  O acordo teve como objetivos a redução gradual e eliminação dos CFCs.

Ao longo dos anos a área de refrigeração e climatização vem se tornando cada vez mais sofisticada, exigindo a capacitação dos profissionais para operar com bombas de vácuo, recolhedores de fluido refrigerante, automação e novos fluidos.

O curso Técnico de Refrigeração e Ar Condicionado da Unidade São José (IFSC) completará 30 anos de existência no ano que vem. Formamos milhares de profissionais nesse período.

Quando ingressei como professor efetivo da ETFSC – UnED São José – em 1993 os alunos de Refrigeração e de Telecomunicações, os dois únicos cursos técnicos da UnED São José, se provocavam mutuamente. Os alunos de Tele diziam que os de RAC estudavam para consertar geladeira e os alunos de RAC diziam que os alunos de Tele estudavam para consertar telefones. Essa simplificação fazia parte das brincadeiras cotidianas. Considerando o senso comum divulgado amplamente pela mídia de que o futuro estava na área de informática, telecomunicações móveis e internet, alguns alunos de RAC se sentiam diminuídos pelas brincadeiras. Como se uma área fosse menos importante que outra. Uma bobagem evidentemente. Sempre gosto de lembrar que nenhum telefone funciona sem que a central seja climatizada 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias do ano. Todas as áreas são interdependentes. Basta observar que ao lado das torres de telefonia celular existem  containers climatizados para proteção dos equipamentos.

Como professores procuramos sempre mostrar que a refrigeração é uma das mais importantes áreas do conhecimento já criadas pela humanidade.  E procuramos introduzir os melhores programas para a prática do projeto de climatização desde o início.

Por esse motivo publicamos por muitos anos o informativo FOLHA DE RAC. Foi uma forma que encontramos de mostrar as inovações na área de RAC e elevar a autoestima dos estudantes.

Um Técnico de Refrigeração e Ar Condicionado pode atuar principalmente na área de projetos, pesquisa, supervisão de sistemas, manutenção e instalação de equipamentos. Não há limites. Basta ter criatividade e a iniciativa de continuar se especializando.

 

Alguns de nossos egressos se especializaram em climatização de embarcações e de aviões por exemplo. Muitos criaram suas empresas, contribuindo para o desenvolvimento catarinense. Muitos estão trabalhando em outros estados brasileiros. Há regiões em que há pouquíssimos técnicos habilitados para operar sistemas de refrigeração industrial com amônia, por exemplo.

Santa Catarina sempre esteve a frente na área de refrigeração e de climatização. A formação socioespacial do território catarinense ajuda a explicar esse protagonismo.

Uma das primeiras fábricas de gelo do Brasil foi construída pelo imigrante alemão Carl Hoepcke em Florianópolis no início do século XX. Anos mais tarde, o empresário Atílio Fontana fundou a SADIA em Concórdia. Em 1947 foi construído em Brusque o primeiro refrigerador brasileiro. Mais tarde foram criadas em Joinville a CÔNSUL e a EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES – que se tornou a maior fábrica de compressores do mundo.

Não é coincidência que o estado catarinense seja o berço das 4 maiores marcas de alimentos congelados do Brasil: SADIA, PERDIGÃO, SEARA e AURORA.

Considerando que um terço de toda produção de alimentos do mundo acaba se deteriorando por falta de boas práticas de colheita, armazenagem e transporte, a refrigeração tem um papel importante na segurança alimentar.

No livro BRASIL: O PAÍS DOS DESPERDÍCIOS escrito pelo prof. José Abrantes a Universidade Estadual do Rio de Janeiro tem-se que aproximadamente 80% do desperdício de alimentos no Brasil ocorrem pela falta de refrigeração.

Eu poderia escrever o dia todo sobre esse assunto tão importante. Mas melhor que isso, estou disponibilizando alguns textos que podem ajudar a compreender melhor a importância da refrigeração e da climatização para a humanidade.

MATERIAL PARA ESTUDO COMPLEMENTAR:

Saiba mais clicando aqui: Cadeia do Frio

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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