A construção participativa do PDI

Caros colegas, no dia 24 de outubro de 2013, realizei apresentação sobre PDI para 200 estudantes e 600 servidores do IF Farroupilha, em Santa Maria.

Considerando que o assunto é de interesse de todos os institutos, gostaria de compartilhar estas reflexões sobre o planejamento institucional com vocês. Muitos desconhecem que as origens do Plano de Desenvolvimento Institucional podem ser encontradas na LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e no Decreto 5773/2006.
Mas não pretendemos aqui falar sobre as exigências legais.
De maneira bem simplificada, O PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL não deixa de ser um planejamento para os próximos 5 anos !
Ao longo de 20 anos como professor da rede EPT conheci diferentes formas de planejar. Sabemos que qualquer caminho serve para quem não sabe onde quer chegar. O grande autor Chiavenato nos ensina que planejamento está relacionado ao ato de definir os objetivos e escolher antes o melhor caminho para alcançá-los.
O planejamento define onde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como e em que sequência.Para ser mais simples ainda podemos dizer que: Planejar é definir prioridades. E a simplicidade quando se fala em planejamento e em PDI é fundamental.
Podemos afirmar que quanto mais simples é a metodologia para construção de um planejamento, maior é a participação da comunidade acadêmica. E quanto mais participação, maior o comprometimento na execução.
Devemos nos lembrar que, na maioria das vezes, um planejamento é elaborado e implementado por pessoas que não são especialistas em administração. Mas todos praticam planejamento operacional sem saber.
As pessoas nem percebem, mas quando acordam tomam muitas decisões sobre o que farão durante o dia. Esta é uma forma de planejamento operacional. Mas quando falamos em organizações públicas de educação profissional o planejamento ganha uma dimensão maior.
Imagine que você receba 1 bilhão de reais para aplicá-los ao longo de 5 anos na educação profissional. O que você faria? Tenho certeza que todos apresentarão muitas muitas idéias criativas sobre o que fazer com o dinheiro.
Mas vamos complicar um pouco: temos que aplicar os recursos respeitando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Temos que atender diversos arranjos produtivos locais no estado. Devemos garantir que os servidores docentes e TAEs sejam contratados por meio de concurso público honesto e em número suficiente para as necessidades de cada região. Devemos conhecer as demandas dos arranjos produtivos locais para definir quais cursos precisam ser ofertados, por quando tempo e em que níveis.
Vejam que o valor de 1 bilhão não é fictício, e sim a soma do orçamento recebido ao longo de 5 anos por institutos de porte médio. A partir dessa questão real percebemos claramente que somente encontraremos a opção mais eficiente para investir o valor de 1 bilhão quando pensarmos de forma coletiva e estratégica.
Há uma frase que gosto muito: “Ninguém é tão bom quanto todos nós juntos !”
Para otimizar o uso dos recursos o PDI é um instrumento importante. Queremos ter o máximo de estudantes com o mínimo de recursos e com a máxima eficiência.
Há muitas maneiras de se construir um PDI. Mas há muitas formas de NÃO se fazê-lo.
Não devemos construí-lo de gabinete.Não devemos fazê-lo somente por ser uma exigência legal.
Não devemos fazê-lo sem analisarmos os indicadores e tendências. Não devemos deixar de considerar as interfaces com outras instituições similares.
Antes do PDI já fazíamos o planejamento estratégico de nossas instituições.
Antes do PPI já fazíamos os projetos políticos pedagógicos (PPP).
Quando olhamos para um PDI podemos ver um instrumento legal para reconhecimento de cursos ou podemos ver uma oportunidade de Planejar efetivamente nossas instituições. Precisamos também enxergar a oportunidade de consolidação de nossas instituições.
Quando ingressei na ETFSC a educação profissional não era reconhecida como estratégica para o desenvolvimento nacional. Nem em meus melhores sonhos poderia imaginar que estaríamos presentes em 80% das microrregiões brasileiras. Não há dúvidas de que esse é um dos maiores legados do governo Lula – Dilma.
Os planos de expansão 1, 2 e 3 poderiam ser chamados muito bem de Planejamento da Expansão 1, 2 e 3.
Sem esse planejamento o governo federal não teria resgatado o orgulho de milhares de professores, de TAEs e de estudantes de serem parte dos Institutos Federais.
Sem planejamento dificilmente teríamos ampliado em 3 vezes o número de campus e de matrículas em tão pouco tempo. Saímos de 154 campus em 2006 para quase 500 em 2013. Particularmente minha primeira experiência com Planejamento Estratégico se deu em 1994.
Naquela oportunidade a Diretora prof. Soni de Carvalho reuniu todos os coordenadores e diretores na AABB para construção coletiva da missão da então ETFSC. Também analisamos nossos pontos fortes e pontos fracos. Elaboramos ações estratégicas e estabelecemos prioridades.
Aprendemos naquele imersão prática como planejar de forma coletiva.Percebemos que o futuro de nossa instituição estava em nossas mãos. A primeira vez em que participei da construção de um PDI foi em 2005. A ETFSC havia se transformado em CEFET-SC em 2002 e estávamos formando nossos primeiros alunos nos cursos superiores de tecnologia. Por definição, o PPI é um instrumento que define as políticas para a Instituição, norteando as ações que levem à viabilização da missão e de seus objetivos.
Apesar do Decreto 5773/2006 inserir o PPI como uma das partes do PDI, entendemos que o PDI deveria ser parte do PPI.
E a explicação é simples. O PPI é o documento que expressa claramente onde queremos chegar, nossos valores, nossas expectativas, nossa visão de futuro, nossa missão e nosso ideal de sociedade.
O PDI é o documento que expressa COMO atingiremos nossas expectativas em um intervalo determinado de 5 anos.
O momento de elaboração do PDI e do PPI exige uma profunda reflexão. Precisamos pensar muito sobre o que vamos ser quando crescermos.
Ainda não atingimos nossa maturidade e, como uma criança, os Institutos Federais ainda estão descobrindo seu potencial. A consolidação da educação a distância e o uso de novas tecnologias no dia a dia das salas de aula e na prática pedagógica e administrativa são grandes oportunidades para aumento do número de alunos e para a melhoria de nossos cursos. Estamos nos socializando com outras instituições similares, interagindo com nossas comunidades e ocupando novos espaços.
Ainda não descobrimos nossos limites de atuação e não sabemos qual nosso tamanho definitivo. E provavelmente não podemos controlar todas essas variáveis.
Apesar da Lei de criação dos Institutos Federais ter transformado a educação profissional em uma política de estado, a implantação de um possível Plano de Expansão 4 depende de decisão política do próximo governo e da concordância dos atuais Institutos Federais.
A maioria dos servidores dos Institutos Federais tem menos que 5 anos de instituição.
E não participaram da elaboração do PDI em vigor. Será que os novos servidores possuem visões muito diferentes dos servidores mais antigos ?
Comparado com o ano de 2009, o momento do país é outro hoje. E obviamente será muito diferente em 2019, quando se encerrará a vigência do novo PDI (2014-2019). O momento histórico de investimentos para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 tem aumentado de forma considerável a demanda por profissionais especializados de nível técnico em todo o país.
Quando construímos o PDI do IFSC em 2009 havia muitas dúvidas ! Não era possível antecipar todos os desdobramentos da transformação em Institutos Federais. Passados 5 anos temos algumas respostas, mas novas e intrigantes perguntas.
Temos clareza e orgulho daquilo em que nos transformamos? Temos consenso na rede sobre o que pretendemos nos transformar ? Como ampliar o número de campus para que o IF-Paraná não tenha sua eficiência de gestão reduzida? Como viabilizar a capacitação dos servidores alinhados aos objetivos institucionais​? Em nossos cursos são desenvolvidos valores éticos? Temos um projeto de educação profissional para apresentar para o próximo governo?
 Ou vamos ser reativos diante das propostas que serão apresentados durante as campanhas eleitorais ?
São questões que me inquietam ! No mês de maio de 2013 participei do lançamento do PDI do IFSC.
Prof Aguillar da Unicamp abordou a importância do PDI para reafirmarmos nosso compromisso com a inclusão e com o desenvolvimento regional – pensando os saberes das pessoas.
Penso que é um momento também importante para consolidarmos nossa identidade. O nosso IF Paraná uma instituição jovem.
Precisamos ter a humildade para reconhecer nossos possíveis erros e a coragem para mudar o que precisa ser mudado. Precisamos ter a vontade sincera de trabalharmos juntos.
Por isso é fundamental a discussão coletiva sobre o PDI. Não há no mundo uma experiência similar ao processo de organização dos Institutos Federais e por isso precisamos pensar grande e diferente.
Somos uma estrutura multicampus e temos a maior capilaridade do país ! Via de regra temos a tendência de reprodução dos modelos que aprendemos nas universidades. Mas esses modelos não nos servem. Somos diferentes !
Fazemos educação profissional em todos os níveis ! Desde formação inicial até pós-graduação. Um trabalhador pode entrar em um curso da modalidade Proeja e pode sair com a formação de mestrado profissional. Observem que precisamos aprender a fazer leitura de cenários. O atual governo federal tem dado continuidade à expansão da rede EPT.
Ao mesmo tempo tem dado muito destaque para a oferta de cursos de curta duração.
Sabemos que o país precisa ampliar de forma acelerada a oferta de educação profissional para não deixar passar uma oportunidade histórica.
Pela primeira vez o Brasil pode sonhar em se transformar em uma verdadeira potência mundial. Já somos a sexta economia e podemos avançar mais. Mas temos deficiências graves na educação. Somos um dos poucos países do mundo que está se desenvolvendo ao mesmo tempo em que tem reduzido as desigualdades sociais. Estudos comprovam que a ampliação da escolaridade da população é indutora de riqueza.Políticas públicas acertadas possibilitaram a elevação de renda e do consumo das classes populares. 40 milhões de pessoas saíram da miséria e agora sonham mais alto. Muitos desejam se capacitar para terem uma profissão !
Programas de proteção social têm sido importantes, mas não podem gerar dependência ! Eles precisam gerar autonomia ! A sabedoria milenar dos chineses nos ensinou que melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar.
Por esse motivo os programas de distribuição de renda estão atrelados hoje à educação profissional por meio do Pronatec. A meta do atual governo é a oferta de 8 milhões de vagas na educação profissional.
Até o momento já foram atendidos 4 milhões de trabalhadores em um empreendimento inédito de integração das redes federal, estadual e do Sistema S. Dentro dessa oferta temos quase 600 mil matrículas nos cursos regulares em todos os níveis.
Um grande esforço foi realizado nos últimos 9 anos para aumentar em 3 vezes o número de campus, ampliar e interiorizar a oferta de vagas. Atendíamos 200 mil alunos em 2009.
Até 2006 estávamos sediados principalmente nas grandes cidades, principalmente nas capitais. Compreendemos que os cursos FIC são a porta de entrada dos trabalhadores nos Institutos Federais.
A partir desses cursos eles estão percebendo que podem e devem continuar seus estudos profissionalizantes.
Apesar de defender a oferta de cursos de maior duração e que promovam formação de profissionais cidadãos, compreendemos que o momento econômico brasileiro exige respostas mais rápidas às demandas por inovação e maior competitividade.
Essa reflexão se faz importante porque quando pensamos em PDI precisamos pensar com cuidado sobre nossas ofertas.
No então CEFET-SC tive forte convicção em defender a tese favorável pela transformação em Instituto, principalmente porque havia a previsão legal de garantia da oferta de 50% de vagas para os cursos técnicos.
Isso me trouxe a segurança de que a transformação em Institutos não nos desviaria de nosso papel histórico de atender aos menos favorecidos.
Em 2008, ao mesmo tempo em que discutíamos a criação dos institutos, ocorreu uma profunda restruturação da carreira docente.
O plano de carreira implantado pela MP 431 e consolidado na Lei 11784 de 2008 levou a uma valorização maior da titulação de doutorado. Ao final de carreira a diferença de proventos entre um mestre e um doutor pode chegar a 50 mil reais por ano.
Esse fato tem induzido uma maior procura por cursos de doutorado – a maioria acadêmicos – e atraído novos doutores nos concursos. Não há nada de errado nisso. Professores mais valorizados são mais motivados.
Investem mais em auto-desenvolvimento. Mas nesse momento de elaboração do PDI é provável que algumas áreas proponham a abertura de cursos de engenharias em detrimento de cursos técnicos.
Mesmo que a Lei de criação dos Institutos tenha fixado o limite de 30% para essa oferta.
Alguns docentes entendem que a oferta obrigatória de 50% de vagas em cursos técnicos deve ser cumprida por colegas dos outros câmpus.
Esperamos que nesse momento todos possamos refletir sobre as origens históricas de nossa rede.
A maior titularidade de nosso quadro de servidores tem que ser um elemento positivo.
Tem que ser um diferencial para melhorarmos a formação de nossos estudantes.
O elevado índice de evasão de alguns cursos é uma ameaça real que precisaremos enfrentar com ações concretas no PDI. A evasão pode ser reduzida a partir de análises estatísticas. Podemos aplicar o BIG DATA na educação.
 Precisamos trazer a inovação como algo concreto para nossos estudantes. Somos um país de muitas idéias mas com poucas patentes. Precisamos desenvolver pesquisa aplicada para que o Brasil possa fazer parte do seleto grupo de países que fabricam máquinas que fazem outras máquinas. Hoje somos um país que fabrica coisas e que fabrica máquinas que fabricam coisas. A nova institucionalidade, garantida com a Lei 11.892/2008, possibilita o
aproveitamento das melhores práticas de outros institutos federais.
Podemos encontrar soluções comuns para os problemas comuns. Nesse momento de elaboração do PDI temos que pensar em rede. Por isso é importante que ocorra uma articulação com os demais institutos do Sul.
Como será o nosso futuro?
Depende do que sonharmos hoje.
Depende do nosso compromisso em trabalhamos juntos.
 Depende de nossa humildade para reconhecer nossos erros e ter coragem para ousar.
Precisamos garantir sempre que o PDI seja a representação da vontade coletiva de seus estudantes e servidores.
Somos limitados pela nossa imaginação!
Muito obrigado pela atenção !
Prof. Jesué Graciliano da Silva

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