Como estudar de forma mais eficiente?

Caros estudantes e servidores, estou preparando uma apresentação sobre como estudar de forma eficiente. Caso queiram contribuir, suas sugestões serão bem vindas.

As novas tecnologias terão cada vez mais impacto na forma como os professores ensinam e na forma como os alunos aprendem.

Vivemos uma fase de transição e precisamos compreender que se não INOVARMOS estaremos ensinando do mesmo jeito que era feito na época de nossos avós. Mas estamos na era do conhecimento e da convergência digital.

A tendência é a ampliação do acesso à internet sem fio (wireless). Em poucos anos, centenas de cidades brasileiras permitirão acesso à internet  gratuitamente (em alguns casos é exigido a comprovação do pagamento do IPTU).

A tendência é que nossos arquivos digitais sejam depositados em repositórios da nuvem digital chamada de “cloud”.  Já são populares os repositórios Dropbox, Picasa (Fotos) e Google Docs.

Isso significa que cada vez mais teremos facilidade de acessar as informações que precisamos em qualquer lugar, sem a necessidade de carregar os vários CDs, pendrives e HDs externos.

O famoso professor Salman Khan (Khan Academy) está produzindo e publicando na internet milhares de aulas, explicando temas simples e complexos.

As aulas do prof. Khan têm duração de poucos minutos. Elas já foram assistidas por milhões de pessoas no mundo. Ele explica que faz vídeos curtos porque o tempo de concentração efetiva dos estudantes é pequeno. Temos que considerar esse fato durante nossas aulas.

Há também dezenas de professores brasileiros produzindo e disponibilizando excelentes aulas e animações digitais. Em breve a maioria do conhecimento ensinado no ensino médio, nos cursos técnicos e nos cursos superiores das universidades estará disponível na internet.

Isso significa que a informação estará disponível para ser acessada sempre que o estudante precisar dela a qualquer hora e local.

Imagino que poderemos até escolher o professor para explicar determinado assunto, pois haverá diversas explicações disponíveis sobre o mesmo tema. Poderemos comparar as diferentes versões e construir uma nova explicação a partir delas.

Nesse novo cenário, de um futuro não tão distante, poderemos investir mais tempo discutindo com os estudantes A APLICAÇÃO EFETIVA de determinados assuntos.

Dizer para o aluno que um assunto será útil um dia ou dizer que determinado assunto serve para exercitar o raciocínio já não satisfaz.

Muitas vezes, a história do desenvolvimento de determinado assunto é mais interessante do que ele.  Podemos pensar: por que Isaac Newton desenvolveu o cálculo diferencial ? O que levou à famosa “guerra das correntes contínua e alternada”?   O que levou James Watt a desenvolver a máquina a vapor? Qual a relação entre a invenção do telégrafo e do telefone ? O que isso significou para o mundo?

Podemos poupar um bom tempo que atualmente é utilizado no repasse de informações que são copiadas pelos estudantes.

O grande educador Rubem Alves afirma em suas palestras que precisamos ensinar nossos estudantes a PENSAREM.

Além de pensarem sobre os conteúdos ministrados, eles precisam saber onde encontrar as informações de que precisam.  O ideal é que os estudantes pudessem ler os textos e assistir os vídeos dos assuntos antes das aulas. O tempo de contato entre os professores e alunos seria utilizado para debater os assuntos. Isso é o que é vem sendo realizado em diversos cursos de Harvard atualmente.

Sabemos que o tempo tem se tornado um bem cada vez mais escasso em nossas vidas.

Por isso é preciso saber otimizar e priorizar nossas ações. Existe um teorema interessante utilizado na área de gestão e que diz que se temos 100 coisas para fazer, apenas 20 delas trarão 80% dos resultados.  Trata-se do teorema de Pareto ou Teorema 80 / 20.   Isso vale também para a área da educação.  Muitas vezes não sabemos priorizar os conteúdos mais importantes de um assunto e nos perdemos em detalhes insignificantes. Entendo que os docentes e orientadores educacionais são fundamentais para orientar os estudantes sobre a qualidade das informações disponíveis na internet.

Cada ser humano tem uma forma de aprender diferente. Algumas pessoas aprendem ouvindo, outras vendo, outras praticando, outras interagindo. Temos que respeitar isso como educadores.

Todos os estudantes deveriam refletir sobre quais são seus estilos de aprendizagem.

Saber tirar proveito deles é uma forma simples de aprender de forma mais eficiente.

Na sociedade do conhecimento recebemos um bombardeio diário de informações.  Saber diferenciar o que é útil daquilo que é lixo eletrônico é um grande desafio para os estudantes e docentes.

Durante o segundo grau nunca me preocupei com técnicas de estudo. No entanto, durante a preparação para o vestibular foi necessário organizar de forma sistemática uma grande quantidade de informações.  Foi nessa fase que conheci as primeiras dicas de como aprender de forma mais eficiente: aprendi melhor organizando resumos, fazendo esquemas ilustrados, elaborando cartazes coloridos, assistindo atentamente as aulas, assistindo videoaulas do Programa Vestibulando (TV Cultura), resolvendo provas antigas, realizando simulados, elaborando perguntas e respostas e estudando de forma concentrada no silêncio da Biblioteca Municipal de Marília.

Durante o curso de Engenharia  Mecânica o volume de informações e a complexidade dos conteúdos aumentaram muito. Nesse período foi necessário aperfeiçoar minha forma de estudar.

Um hábito simples que desenvolvi foi o de estudar muito para as primeiras provas do semestre. No início do semestre sempre estamos  mais descansados e o volume de informações a estudar normalmente é menor.

Isso fazia com que ao longo das semanas seguintes os novos conteúdos se tornassem mais simples. Alguns alunos deixavam para estudar apenas para as provas finais quando o esforço era muito maior. A dificuldade aumentava porque os conceitos básicos não haviam sido aprendidos no tempo certo.

Outro hábito era o de estudar de forma “iterativa” Algo parecido com a leitura dinâmica. Quando eu necessitava estudar 200 páginas, procurava não estudar de forma linear página por página. Preferia passar os olhos no texto do início ao fim.  Procurava analisar as idéias principais, objetivos, conclusões,  ilustrações e gráficos. Essas informações do final do texto se mostravam úteis quando eu retornava ao início. Por isso chamo de método iterativo, pois há semelhança com o método de iteração numérica. A cada “loop” é possível aumentar o nível de fixação dos assuntos estudados.

Nesse período aprendi com o grande prof. Luiz Teixeira do Valle Pereira (EMC) que estudar é como praticar uma atividade física. Quanto mais estudamos mais fácil aprendemos novos conteúdos. Temos que pensar o cérebro como um músculo que precisa ser estimulado. Exatamente como a prática de um esporte. No começo é mais difícil e depois torna-se uma automático. Por isso devemos estudar sempre todos os dias, nem que seja apenas 1 hora. Essa disciplina é importante para manter nosso cerébro preparado para aprender novos conhecimentos a cada dia.

Após concluir o curso de Engenharia Mecânica, ingressei na ETF-SC (atual IF-SC) e pude compartilhar e aperfeiçoar minhas técnicas. Durante quase 20 anos tenho convivido com centenas de professores e com milhares de estudantes jovens e adultos. Tenho observado as mais diferentes formas de aprender e de se ensinar.  Não existe um método que funciona para todas as pessoas. Cada um precisa desenvolver seu próprio método, respeitando suas habilidades.

Continuo estudando e aprendendo como estudar ainda hoje. Considerando os problemas de mobilidade urbana podemos gravar com as nossas palavras um resumo de determinado texto para ouvir no rádio do carro (mp3). Podemos aproveitar algumas horas que perdemos durante a semana para aprender.

Sabemos que não podemos ensinar os mais jovens da mesma forma que ensinamos os adultos.  A experiência concreta dos adultos é decisiva no processo de ensino-aprendizagem. Por isso, ensinar alunos dos cursos técnicos da modalidade pós médio tem sido um grande desafio. Na mesma turma normalmente estão presentes alunos de 18 a 50 anos.  Em alguns momentos é necessário preparar dois tipos diferentes de materiais para a mesma turma.

Durante anos tenho me deparado com diversas indagações dos estudantes:  É possível estudar menos e aprender melhor? É possível aprender sem estudar ? Qual a diferença entre estudar e assistir aulas? O que a EAD tem de diferente da educação presencial ? Como as novas tecnologias alteram o processo de ensino aprendizagem ? É possível utilizar as novas tecnologias da informação para aprender melhor? Qual a diferença entre um aluno e um estudante? O ambiente de estudo influencia no aprendizagem? É melhor estudar em grupo ou de forma individual?

Apresento a seguir algumas ponderações superficiais para cada uma dessas perguntas a partir da experiência pessoal como estudante e professor.

É possível estudar menos e aprender melhor?  
Compreendo que que sim. É possível estudar menos e aprender melhor. Mas aprender melhor não significa apenas tirar boas notas. Aprender é para a vida toda.  Na maioria das vezes não lembramos mais nada de um assunto mesmo depois de ter obtido bons conceitos. Quando se aprende de verdade não se esquece. Tirar boas notas não significa necessariamente que aprendemos um assunto. Mas quando aprendemos efetivamente um conteúdo normalmente tiramos boas notas. Para estudar menos e aprender melhor é preciso que tenhamos conhecimento de nosso estilo de aprendizagem. Se somos pessoas que aprendemos mais ouvindo alguém falar, não adiantará ficar fazendo resumos e esquemas. Nesse caso, gravar a aula e escutar durante o trânsito ou quando estamos nos exercitando trará melhores resultados. Se queremos aprender mais e estudar menos precisamos saber que lembramos apenas 10% do que lemos; 20% do que ouvimos; 30% do que vemos; 50% do que vemos e ouvimos; 70% do que discutimos com outros; 80% do que nós, pessoalmente, experimentamos; 95% do que ensinamos aos outros.

É possível aprender sem estudar ?
Ouvi essa frase dos alunos: Eles diziam que gostavam de aprender mas não gostavam de estudar. Na verdade eles não gostavam de estudar da forma convencional.  Eles gostavam de ir para o laboratório e entender como os fenômenos físicos aconteciam.  Eles gostavam de discutir a utilidade dos conteúdos.  Há pessoas que aprendem sobre determinado livro representando uma peça teatral com os amigos. O que poderia ser um estudo chato torna se algo estimulante. Se estudamos de forma divertida aprendemos sem estudar !

Qual a diferença entre estudar e assistir aulas?   
No ensino tradicional, ASSISTIR AULAS muitas vezes é uma atividade passiva e coletiva.  Os alunos podem estar pensando em qualquer coisa enquanto o professor está falando. É evidente que há professores que sabem se comunicar bem com os estudantes e tornam suas aulas dinâmicas e participativas.  O processo de ESTUDAR é uma atividade ativa e solitária. Temos que refletir sobre o assunto, fazer relações, analisar as aplicações na nossa vida. Ninguém poderá fazer isso por nós.

O que a EAD tem de diferente da educação presencial ?
Existem muitas metodologias para educação a distância. Mas em todas elas o estudante precisa assumir a responsabilidade pelo seu aprendizado. Passamos pelo ensino tradicional onde era preciso que o aluno e o professor estivessem no mesmo espaço para existir o aprendizado. Com a EAD, o aluno e o professor podem estar em espaços e em tempos diferentes. A educação a distância oferece um roteiro bem definido para facilitar o aprendizado dos estudantes. O aluno precisa ter mais disciplina. Precisa fixar horários de estudo, mesmo que ninguém o cobre. Ele tem a vantagem de estudar nos horários que lhe é mais conveniente.

Como as novas tecnologias (TICs) alteram o processo de ensino aprendizagem ?
Com as novas TIC é possível aprender de forma mais interativa. Encontramos material de estudo de excelente qualidade no Portal do Professor, na Biblioteca Mundial, na Bibvirt, no Domínio Público, na Wikipedia, no Portal Khan Academy, no Portal Youtube, no Google entre outros. Os estudantes podem obter grande quantidade de informações de forma rápida e isso faz com que seja necessário ter bom senso para saber filtrar informação útil do lixo eletrônico disponível na internet.  Nos próximos anos é possível que a maioria das aulas presenciais já tenham sido gravadas e estejam disponíveis na internet ao alcance de todos. Cada vez mais a educação tradicional e a educação a distância vão se tornando uma única forma de se aprender. Poderemos estudar o que desejarmos e continuar aprendendo ao longo de toda a vida. Podemos interagir com pessoas que estão estudando os mesmos conteúdos em comunidades virtuais (portais sociais), compartilhando nossas dúvidas e aprendendo com as reflexões dos colegas.

É possível utilizar as novas tecnologias da informação para aprender melhor?
Sim, sabendo utilizar as novas TICs podemos aprender mais rápido e melhor. Por exemplo: se procuramos material sobre estatística na internet encontraremos muitos textos, sites e vídeos com exercícios resolvidos. Podemos utilizar esses vídeos para complementar nosso estudo convencional. Em algumas situações é possível gravar as aulas para escutar durante o trânsito.  Alguns professores fazem atendimento e tiram as dúvidas dos alunos por meio de Skype, Moodle, Chats, Correio eletrônico e MSN. Alguns alunos utilizam as mídias sociais para conversar sobre suas dúvidas.

Qual a diferença entre um aluno e um estudante?
De forma simplificada podemos dizer que o ALUNO é um ser passivo no processo de ensino-aprendizagem. Um aluno assiste aula. Ele está presente, mas nem sempre concentrado nos assuntos do dia. Um ESTUDANTE é um ser ativo e assume a responsabilidade pelo seu aprendizado. Um ESTUDANTE pode estudar em casa, mas também pode ser ativo na sala de aula. Pode estar com o livro aberto no assunto, acompanhando o que está sendo dito pelo professor, comparando e interpelando.

O ambiente influencia no aprendizagem?
Sim, ambientes climatizados, bem iluminados, limpos, com mobília ergonômica, silenciosos são mais agradáveis e favorecem a concentração. Esse conceito estendido para uma escola torna se interessante: quando os estudantes sentem se a vontade com os colegas e com o espaço escolar eles aprendem melhor.

É melhor estudar em grupo ou de forma individual?
Dependerá sempre do tipo de assunto e de cada estudante. Há pessoas que aprendem melhor em grupo.  Entendo que o ideal é o equilíbrio.  Podemos ter momentos de estudo individual para compreensão e reflexão e momentos coletivos para troca de experiências. Explicar o que entendemos sobre um assunto para o colega faz com que a retenção do conteúdo seja aumentada. Quem ensina o que sabe aprende duas vezes.

Espero que essas informações possam ajudar na reflexão sobre como ensinamos e como aprendemos. Quem tiver boas dicas de técnicas de estudo pode enviar.

Atenciosamente,

Prof. Jesue Graciliano da Silva

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