Autoridade moral

Depois de atuar como Diretor do Câmpus São José de 2003 a 2007, como Diretor de Gestão do Conhecimento em 2008, como Pró-Reitor de Desenvolvimento Institucional de 2009 a 2011, como Reitor pro tempore do IFSC de julho a dezembro de 2011, como Reitor pro tempore do IF-Farroupilha de junho a outubro de 2012 e como Reitor pro tempore do IFPR de agosto de 2013 a janeiro de 2014 tenho certeza de já ter dado uma pequena contribuição para a rede de educação profissional do sul do Brasil.

Nestes 10 anos consecutivos de atuação como dirigente público levantei algumas bandeiras como a da transparência, da gestão participativa, da ética e do desenvolvimento das pessoas.

De todas, entendo que a mais importante é a da ÉTICA, principalmente a da “ética da reciprocidade”. Devemos fazer com os outros o mesmo que gostaríamos que fizessem conosco. Como gestor público gosto de tratar meus colegas gestores como gostaria de ser tratado. Como docente gosto de tratar os estudantes como eu gostaria de ser tratado como estudante. Isso vale para nossas famílias e nossas relações de amizade e profissionais.

Além da ética, a transparência é uma ferramenta indispensável para criar uma conexão direta com as pessoas. A transparência gera confiança. Sem confiança não há nada. Não há LIDERANÇA.  No “Príncipe” de Maquiavel já discutia o fato de que alguns príncipes queriam ser respeitados pelo povo e outros temidos. Essa é uma escolha que todos os gestores públicos fazem. E os resultados são diversos.

Com ética e transparência acontece a mágica da participação.  E ela é fundamental em uma instituição de ensino, pesquisa e extensão. É um direito previsto na Constituição Federal, no seu Artigo 206. A existência dos colegiados em todos os câmpus é fundamental para que os estudantes, servidores e comunidade externa possam contribuir para o processo decisório.

Mas de nada adianta ética, transparência e participação se os profissionais da educação não são desenvolvidos ao longo de toda carreira profissional.  O que importa mesmo é o capital intelectual.

São as pessoas e não os processos que fazem a verdadeira diferença ! As pessoas garantem os resultados. E pessoas precisam se sentir bem e motivadas para serem eficientes.  Pessoas oprimidas e com medo não fazem bem o trabalho. Isso é elementar e ainda desconhecido por muitos gestores públicos.

Após 3 experiências de gestão interina (pro tempores) aprendemos um pouco mais sobre os desafios dos Institutos Federais.

No IFSC nosso maior desafio foi a organização das eleições gerais com toda isenção e transparência necessárias. Também enfrentamos questões como a flexibilização da jornada de trabalho, greve e progressão docente.  Com o Fundo de Tecnologia da Informação priorizamos recursos para investimento em segurança e ampliação dos serviços de TI do IFSC.   Também procuramos trazer o assunto “ética da reciprocidade” para o dia a dia da gestão.

No IF-Farroupilha temos orgulho de ter contribuído para a instalação da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional, para as eleições nos câmpus com menos de 5 anos de funcionamento, para a criação do programa de desenvolvimento dos servidores, para a criação de novas ferramentas de comunicação e para a implantação do fundo de TI.

No IFPR nosso desafio foi a efetivação da execução do Planejamento de 2013, mesmo com todas as dificuldades decorrentes da Operação Sinapse.  Iniciamos a instalação dos colegiados em todos os câmpus, organizamos os Jogos Nacionais da rede EPT, o SEPIN, concurso público para TAE, iniciamos a reorganização da EAD e realizamos  licitações para 18 obras em todo o estado.

Foram 3 aprendizados diferentes. Não posso compará-los, mas cada um deles me deu o aprendizado que precisei para enfrentar o desafio seguinte. Não poderia inverter as experiências.

Para finalizar gostaria de deixar um abraço para todos aqueles que acreditam na ética, na gestão participativa, na transparência e no desenvolvimento de pessoas.

Como dizia Mario Quintana, nossos problemas passarão…e nós, pessoas de bem “passarinho”.

No final, quando o jogo acaba, o rei e o peão vão para a mesma caixinha. Os cargos que ocupamos não significam nada. No fundo, somos todos seres humanos desejando a felicidade. Espero que meu próximo seja feliz também. Acredito que a minha felicidade não pode ser motivo de problema para meu colega e vice e versa.

O que importa realmente é a AUTORIDADE MORAL, e essa nunca acaba quando se deixa um cargo.

Acredito muito na justiça e no estado de direito. Temos que confiar em nossas instituições.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s