Internacionalização dos Institutos Federais

Prezados colegas, participei do programa de imersão em inglês na ALAMO COLLEGES, em San Antonio: ENGLISH AS A SECOND LANGUAGE PROGRAM.

Participaram 18 servidores de 5 institutos federais do Sul do Brasil: IFSUL, IFRS, IF-SC, IF FARROUPILHA e IFPR.

Mais do que o aprimoramento na língua inglesa, objetivo principal do programa, tivemos outros ganhos indiretos:

Consolidamos uma parceria que tem tudo para ser duradoura entre a Alamo Colleges e os Institutos Federais do Sul do Brasil, conhecemos diversos professores e modernos laboratórios. Na última semana tivemos a presença do Reitor Antônio Brod do IFSUL para acompanhar os resultados dos cursos e firmar parcerias com a Alamo Colleges.

Também acompanhamos o excelente desempenho de uma turma de estudantes brasileiros selecionados pelo IFSUL para realização de uma imersão em inglês.

Os recursos foram obtidos do Programa de Assistência ao Educando (5%).

Eles tiveram aulas do lado de nossa sala de aula. Ficou claro a importância de ações como essas para o processo de internacionalização dos institutos federais.

Vou organizar uma apresentação e marcar uma data para conversar com os colegas que tiverem interesse sobre a Alamo Colleges e sobre como foi o curso de imersão.

Alamo Colleges é o nome da instituição que congrega 5 campi localizados na cidade de San Antonio, no Texas (EUA).

San Antonio é uma cidade localizada próximo da fronteira do México e por isso tem forte influência latina.

Com mais de 2 milhoes de habitantes, San Antonio é uma das maiores cidades norte americanas.

O Forte Alamo localizado no centro de San Antonio é o ponto turístico mais popular do Texas.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_%C3%81lamo

http://johnsonmatel.com/blog1/2010/09/remembering_the_alamo_1.html

Os 5 campi juntos atendem anualmente 60 mil estudantes. O modelo multicampi é similar ao adotado pelos institutos brasileiros.

O Reitor, os presidentes dos 5 campi e os vice-reitores fazem reuniões frequentes, onde participam os representantes da comunidade.

O Conselho Superior da Alamo Colleges é composto por cidadãos de San Antonio, que contratam o Reitor e os presidentes dos campi a partir de comprovada experiência e habilitação na área de gestão escolar.

Os membros do Conselho Superior se submetem a um processo de escolha na cidade.

A Alamo Colleges não é uma instituição privada. É uma instituição da comunidade – community colleges.

Uma parte dos recursos para seu funcionamento é proveniente de doações.

Outra parte é proveniente de projetos submetidos ao governo estadual e federal.

A definição dos cursos que serão ou não ofertados pelos campi é realizada a partir de consulta ao Conselho chamado de: Workforce to development.

Esse conselho avalia quais são as áreas estratégicas para o desenvolvimento da região e quais são os profissionais que precisam ser formados em um determinado período.

Os estudantes podem cursar apenas dois anos na Alamo Colleges e submeter os seus créditos a outras universidades dos EUA.

Se o aluno cursa 2 anos de um curso técnico com professores qualificados da Alamo Colleges ele pode aproveitar os créditos para seguir em frente em outras universidades.

Isso permite uma economia de recursos considerável de tempo e dinheiro para os estudantes.

Mas ele pode continuar também estudando na Alamo Colleges além dos dois anos e concluir sua formação superior.

Os campi da Alamo Colleges são:

• Northeast Lakeview College
• Northwest Vista College
• Palo Alto College
• St. Philip’s College
• San Antonio College

Visitamos todos esses campi na missão anterior onde Diretores do Sul conheceram de perto ações relacionadas ao programa Sucesso dos Estudantes (junho de 2010).

Os interessados em estudar na Alamo não realizam um exame de classificação para ingresso.

Eles realizam, a qualquer tempo, um teste para avaliar o nível de conhecimento.

A partir do resultado desse teste (via computador), os futuros estudantes recebem aconselhamento de profissionais especializados.

Se o futuro estudante não tem condições mínimas para começar suas aulas no curso pretendido, ele é encaminhado para programas de “empoderamento”.

Ele deverá cursar disciplinas que o ajudem a superar suas dificuldades para dar continuidade aos seus estudos: empreendedorismo, matemática básica, técnicas de estudo, uso do tempo, informática básica, redação, entre outros. Ou seja, o candidato não começa a estudar nos cursos técnicos da Alamo Colleges sem um nivelamento anterior. Isso tem forte influência em seu sucesso acadêmico. É como se tívessemos o pré-técnico – experiência realizada algumas vezes no então CEFET-SC.

As taxas cobradas pela Alamo Colleges são da ordem de um terço das cobradas por qualquer
uma das universidades do Texas.

Apesar disso, diversos estudantes que não podem pagar seus estudos são orientados a preencher os formularios para recebimento de bolsas.

Uma parte considerável dos estudantes (praticamente a metade) recebe bolsas parciais ou integrais.

Similar ao IF-SC, a Alamo Colleges oferece centenas de tipos de cursos.

Estes podem ser treinamentos especificos solicitados pelas indústrias ou podem ser cursos de maior duração.

Os alunos que concluem um curso técnico não podem exercer imediatamente a profissão.

Eles precisam fazer uma prova, que varia de estado para estado para receber a autorização para exercício profissional. Ou seja, não basta concluir as aulas. Tem que demonstrar que aprendeu mesmo.

Essa autorização tem validade de tempo limitada e o interessado deve se submeter a diversos testes ao longo da vida.

Percebemos também que eles enfrentam dificuldades parecidas para organização da gestão em rede.

A definição do grau de autonomia dos campi em relação à Reitoria também é um desafio da Alamo Colleges.

Quanto ao resultado do curso de imersão, entendo que praticamente todos os 18 participantes atingiram os seus objetivos.

Ao final do curso conseguimos aumentar sensivelmente a capacidade de compreender as apresentações sem necessidade de tradução. Foi fundamental para isso toda a preparação anterior.

Dar continuidade aos estudos no Brasil é fundamental para consolidação dessa capacidade.

Devemos assistir telejornais em inglês, ouvir rádios, acessar sites da BBC de Londres, estudar com músicas, assistir filmes sem legendas, praticar via skype. Cada um deve buscar sua melhor forma para aprender.

Esperamos que essa experiência inspire outros colegas a buscarem cursos dessa natureza.

A tendência com o programa Ciência Sem Fronteiras é aumento da cooperação internacional.

Espero que em poucos anos possamos receber regularmente alunos e professores visitantes de outros países e que possamos enviar cada vez mais alunos e servidores para estágios e cursos no exterior.

Penso que, se tudo der certo, teremos novamente mais uma turma de servidores fazendo curso de imersão em língua inglesa no Canadá (em julho ou agosto de 2012) e outra para os EUA (janeiro de 2013).

A Assessoria de Assuntos Internacionais é responsável por fazer essa discussão com a comunidade.

Aliás, é importante ressaltar a competente atuação do prof. Jair Cadorini do IF-SC, da prof. Lia do IFSUL, Gina do IF-RS, da Gláucia do IFPR para viabilizar esse intercâmbio. Só temos que agradecer todo o esforço.

Conversei sobre a possibilidade de um possível estágio na Reitoria da Alamo Colleges com Dra. Adelina Silva (Vice-Reitora responsável pelo desenvolvimento do ensino) e recebi a informação de que as portas estão abertas para isso.

A expansão da oferta de vagas nos institutos federais está causando uma revolução na educação profissional brasileira, mas sempre podemos aprender com boas práticas de outros países.

O programa Sucesso do Estudante é um grande exemplo. A Dra. Adelina Silva foi convidada para fazer uma conferência no II Fórum Mundial da Educação Profissional e Tecnológica.

Posso garantir que sua fala é imperdível para todos aqueles que se preocupam realmente com o sucesso dos alunos.

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva

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