Virando a noite estudando

A mensagem a seguir é uma releitura de uma postagem que tratou sobre o sucesso e fracasso dos estudantes. E o faço porque sei o quanto as últimas semanas do semestre tem deixado muitos estudantes apreensivos. No câmpus São José ouvi o relato de que os estudantes da engenharia têm “virado a noite” estudando. Muitos acabam abusando de estimulantes para ficarem acordados o máximo possível do tempo.

De cada 100 estudantes de graduação no Brasil, apenas 6 cursam engenharia. É muito provável que apenas 2 acabem se formando. Graficamente fica mais clara a ordem de grandeza do quantitativo de estudantes de engenharia em termos percentuais.

Penso que há algo errado. Primeiro porque nos países da OCDE esse percentual é da ordem de 25%.  Além de serem minoria do universo de estudantes de graduação, parece-me que em muitos cursos há excesso de disciplinas e pouco tempo para que os estudantes desenvolvam competências transversais.

Em algumas universidades americanas, por exemplo, os estudantes podem cursar 25% das matérias em qualquer área do conhecimento.  E com isso acabam formando engenheiros mais capazes de compreender o mundo.

Ouso dizer que o desempenho no Ensino Médio dos estudantes dos cursos de engenharia está posicionado na cauda direita da curva normal.

Apesar de enfrentarem uma concorrência acirrada para ingressar no curso superior, muitos se deparam com uma situação inusitada. Descobrem que não são bons o bastante. Acabam reprovando em Cálculo, Álgebra e Física… Posso estar fazendo uma análise muito simplista, mas entendo que esses jovens são a nata de sua geração. Sei que nem sempre aprenderam os conteúdos mínimos esperados dos egressos do Ensino Médio. Mas mesmo assim, são estudantes corajosos.

Segundo o TRE (2016), dos 140 milhões de eleitores brasileiros, aproximadamente 100 milhões não possuem o Ensino Médio.

Para alguns professores parece ser natural que os estudantes tenham que superar as mesmas dificuldades que eles. Mas será que é desse jeito que vamos formar bons engenheiros em uma sociedade do conhecimento?

Entendo que os professores dos cursos de engenharias do IFSC deveriam se encontrar mais para compartilhar métodos de ensino, compartilhar material didático, discutir a evasão e até mesmo problemas como depressão. Vejo diversos estudantes a beira de um colapso. Não acho que isso seja natural. Precisamos agir antes que aconteça o pior.

Entendo que devemos empoderar nossos estudantes para que eles se tornem engenheiros e engenheiras confiantes, motivados (as) e encorajados (as)  a inovar e a empreender. Precisamos de milhares de jovens inovadores para fazer frente aos desafios atuais.

Minha solidariedade e incentivo para todos os estudantes nesse momento de conclusão do semestre !  Eu acredito em vocês !

A seguir apresento algumas dicas que aprendi ao longo de minha caminhada como estudante e professor.

Como estudar e aprender mais. 

Atenciosamente,

Prof. Jesué Graciliano da Silva